Ucrânia diz ter neutralizado mais da metade da capacidade de refino da Rússia; Berlim alerta para escalada híbrida

Ucrânia afirma ter atingido 51% da capacidade de refino russa; Putin reconhece perda de 1% do PIB e Alemanha alerta sobre escalada híbrida.

Ucrânia diz ter neutralizado mais da metade da capacidade de refino da Rússia; Berlim alerta para escalada híbrida

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Ucrânia diz ter neutralizado mais da metade da capacidade de refino da Rússia; Berlim alerta para escalada híbrida

Por Marco Severini — Em um movimento que altera a dinâmica logística e estratégica do conflito, o Ministério da Defesa da Ucrânia afirmou que seus ataques de longo alcance desativaram 51% da capacidade de refino de petróleo da Rússia. Segundo Kiev, instalações em pontos-chave — de Moscou a regiões da Sibéria — foram atingidas, afetando a habilidade de abastecer as forças russas e pressionando economicamente o Kremlin.

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As localidades explicitamente citadas incluem refinarias próximas a Moscou e em cidades como Yaroslavl, Ust-Luga, Perm, Saratov e Syzran. A alegação de que mais da metade da capacidade de processamento foi colocada fora de operação não pôde ser verificada de forma independente; autoridades ucranianas destacam que a avaliação é fruto da cooperação entre serviços de inteligência, Estado‑Maior e o próprio Ministério da Defesa.

O caráter estratégico das ações é manifesto: ao atingir a retaguarda industrial e logística do adversário, Kiev procura impor um custo econômico direto à máquina de guerra russa. O ministro da Defesa ucraniano enfatizou que o golpe à capacidade de refino representa um impacto severo sobre a economia do inimigo e sobre a sustentação dos agrupamentos de tropas no terreno. Em linguagem de tabuleiro, trata‑se de atacar as linhas de suprimento que mantêm as peças em movimento.

Em resposta, o presidente Vladimir Putin reconheceu, em declaração no fórum do Club Valdai, que os ataques provocaram perdas equivalentes a cerca de 1% do PIB russo. “Alcançaram seu objetivo? Em parte”, afirmou, numa admissão incomum que confirma tanto a eficácia parcial dos ataques como a intenção declarada de Kiev de pressionar economicamente Moscou.

As ações ucranianas contribuíram, ao longo do ano, para uma crise de combustível em várias regiões russas, obrigando autoridades a impor controles e restrições temporárias nas vendas de combustíveis. A tática de atuar em profundidade, conforme descrita por Kiev, insere a guerra além da linha frontal: redesenha, de forma invisível, fronteiras logísticas e pressiona os alicerces econômicos do Estado que sustenta a ofensiva.

Paralelamente, o chefe do serviço de inteligência externa da Alemanha, Martin Jaeger, advertiu que a Europa enfrenta uma escalada de uma “guerra na sombra” por parte de Moscou, com campanhas híbridas envolvendo drones e ciberataques. Em audiência parlamentar, Jaeger disse que a Alemanha corre o risco de se ver arrastada para um conflito mais violento — citando, entre outros episódios, um ataque frustrado a um aeroporto em Lipsia no mês de agosto.

O quadro revela, portanto, uma tectônica de poder em mudança: ataques estratégicos ucranianos tentam desarticular a capacidade de sustentação russa, enquanto potências europeias recalibram defesas e percepções diante de ações híbridas que corroem a segurança doméstica. Moscou, por sua vez, segue negando intenções de agressão direta contra membros da NATO, mesmo diante das acusações e da escalada das tensões.

Do ponto de vista geoestratégico, estamos diante de dois efeitos combinados: um desgaste material sobre a economia de guerra russa e um aumento da pressão política sobre aliados europeus, que devem decidir como proteger linhas de abastecimento críticas sem transformar a contenção em confronto aberto. No tabuleiro, cada ataque às refinarias é um movimento que busca forçar a mão do adversário; a resposta europeia determinará se esse jogo permanece de coerção econômica ou se evolui para confronto direto.

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