E5 em Berlim reforça apoio a Kiev enquanto aumentam ataques com drones sobre Rússia e Crimeia
E5 em Berlim reforça apoio a Kiev; aumentam ataques com drones sobre Rússia e Crimeia, com mortes e impactos em infraestruturas críticas.
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E5 em Berlim reforça apoio a Kiev enquanto aumentam ataques com drones sobre Rússia e Crimeia
Por Marco Severini — Em um movimento que desenha um novo traçado estratégico no tabuleiro europeu, os líderes do grupo E5 (Alemanha, França, Reino Unido, Itália e Polônia) saíram de Berlim com uma mensagem clara: uma Europa mais forte deve coexistir com uma OTAN mais eficaz, reforçando apoio político e prático a Kiev antes da cúpula da Aliança em Ankara nos dias 7 e 8 de julho. Este alinhamento europeu pretende aumentar a capacidade de interlocução com Washington, redistribuindo responsabilidades no flanco oriental da arquitetura de segurança.
No mesmo fim de semana, os efeitos da guerra transbordaram para o território russo: ataques atribuídos a forças ucranianas causaram a morte de cinco civis — entre eles duas crianças — em incidentes ocorridos durante a noite na Crimeia anexada e nas regiões fronteiriças russas. O governador crimeano indicado por Moscou, Sergey Aksionov, informou via Telegram que “duas pessoas, entre as quais um menor, foram mortas” em consequência dos ataques noturnos; outras duas pessoas ficaram feridas.
Autoridades locais também relataram a morte de um civil na região de Belgorod e, na vizinha Bryansk, o óbito de um motorista de 23 anos e de uma jovem de 15 anos, ambos em ação atribuída a drones. O Ministério da Defesa russo declarou ter abatido 269 drones ucranianos sobre o território russo e a península da Crimeia na última noite.
Na Crimeia, múltiplos vetores de ataque provocaram cortes de energia, com interrupções significativas em Yalta. Análises open-source (OSINT) indicam danos nas centrais térmicas de Tavricheskaya e Balaklava, episódio que aponta para efeitos diretos sobre infraestruturas críticas e para o aumento do impacto civil da estratégia de longo alcance.
Do lado ucraniano, o presidente Volodymyr Zelensky descreveu as operações de longo alcance como respostas “coerentes e cirúrgicas” à prolongação da guerra e aos ataques russos contra cidades ucranianas. Segundo ele, unidades ucranianas atingiram o depósito petrolífero Poltavska na região de Krasnodar, a cerca de 300 km da linha de frente — alegação que as autoridades russas resumiram como um incêndio provocado pela queda de destroços de drone.
Zelensky acrescentou que o serviço de segurança ucraniano (SBU) teria atacado duas refinarias em Ufa — Bashneft-Ufaneftekhim e Bashneft-Novoyl — localizadas a aproximadamente 1.500 km da linha de frente, parte do que chamou de “plano de sanções de longo alcance”. O governador regional, Radiy Khabirov, afirmou que o ataque em Ufa foi repelido, sem feridos e sem interrupção dos processos produtivos.
Como analista, vejo dois movimentos simultâneos: um reafirmativo e diplomático no coração de Berlim, e outro operacional e assimétrico no terreno. A convergência dos grandes europeus no E5 busca erguer alicerces mais sólidos para a autonomia estratégica europeia dentro da OTAN, enquanto as operações ucranianas ampliam a tectônica de poder ao longo de linhas logísticas e infraestruturais russas. Trata-se de um redesenho de fronteiras invisíveis, onde diplomacia e ação militar se respondem em jogadas calculadas.
No curto prazo, espera-se que o encontro do E5 contribua para um roteiro comum antes de Ankara, enquanto no terreno a escalada por drones continuará a testar a resiliência das infraestruturas e a capacidade de contenção das autoridades russas. A alternativa genuína — como lembra o presidente ucraniano — passa pela diplomacia real e não por manobras que ganham tempo.