Petraeus: Ucrânia se tornou o laboratório da 'guerra do futuro', diz ex-chefe da CIA

Petraeus afirma que a Ucrânia é um laboratório da 'guerra do futuro' e pede ação rápida em drones e inovação militar.

Petraeus: Ucrânia se tornou o laboratório da 'guerra do futuro', diz ex-chefe da CIA

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Petraeus: Ucrânia se tornou o laboratório da 'guerra do futuro', diz ex-chefe da CIA

Em entrevista à La Stampa, o general David H. Petraeus, presidente do Kkr Global Institute e ex-diretor da CIA, traça um panorama sóbrio e estratégico sobre a transformação do conflito ucraniano. Para Petraeus, a Ucrânia deixou de ser um teatro de operações convencional para se converter num verdadeiro laboratório da guerra do futuro, onde se testam táticas, tecnologias e novas formas de imposição de custo ao adversário.

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Segundo o analista, os combates não se limitam mais à linha de frente: há uma intensificação dos ataques em profundidade que visam a retaguarda russa — refinarias, nós logísticos, aeroportos, depósitos de munição — e tentativas de isolar a península da Crimeia. Do outro lado, Moscou aposta em campanhas de desgaste sistêmico, incluindo ameaças de ataques massivos à energia ucraniana com a aproximação do inverno. Trata-se, nas palavras de Petraeus, de um crescente "atrito de sistema", onde cada parte busca transferir o peso do conflito para a economia, infraestrutura energética, logística e defesa aérea do adversário.

O general observa que a resposta russa confirma efeitos estratégicos reais desses ataques. Apesar de avanços táticos no sudeste da Ucrânia, os ganhos russos são limitados e caros: Petraeus aponta custos humanos diários elevados — mais de mil entre mortos e feridos por dia — e um acumulado de baixas que supera 1,4 milhão. A leitura clara é de uma guerra de atrito, com um tabuleiro movimentado por manobras que visam desarticular a capacidade de sustentação da operação inimiga.

No contexto europeu, chama atenção a nomeação do ex-ministro ucraniano Mykhailo Fedorov como conselheiro do ministro italiano da Defesa, Guido Crosetto. Petraeus destaca que Fedorov foi peça central da inovação digital ucraniana desde 2019 — como vice-primeiro-ministro para inovação digital e, por seis meses em 2026, como ministro da Defesa — e que sua experiência reforça a ideia da Ucrânia como campo de provas para novas doutrinas de combate.

O diagnóstico final do general é um chamado à mudança de ritmo das forças ocidentais: a modernização incremental não é suficiente. É necessário ampliar de forma massiva a aquisição e integração de drones e outras capacidades não tripuladas, acelerar a inovação logística e adaptar doutrinas para operar num ambiente onde a guerra se estende por múltiplas camadas — militar, cibernética e econômica. Em termos de geopolítica, estamos diante de um redesenho de fronteiras invisíveis, onde cada nova tecnologia e cada ataque em profundidade reposicionam peças no grande tabuleiro da influência.

Como analista, concluo que a experiência ucraniana impõe lições duras e pragmáticas: o futuro do combate será moldado tanto pela velocidade de adoção tecnológica quanto pela resiliência dos alicerces industriais e energéticos dos Estados. A capacidade de impor custos ao adversário sem se esgotar define hoje quem avançará no tabuleiro estratégico europeu.

Marco Severini — Espresso Italia

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