Trump pede a Xi que não forneça armas ao Irã; Pequim apresenta plano de paz em quatro pontos e nega uso de satélite
Trump diz ter pedido a Xi que não arme o Irã; FT aponta uso de satélite chinês; Pequim apresenta plano de paz em quatro pontos e nega envolvimento.
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Trump pede a Xi que não forneça armas ao Irã; Pequim apresenta plano de paz em quatro pontos e nega uso de satélite
Por Marco Severini — Em um movimento que remete a uma jogada cuidadosa no grande tabuleiro diplomático, o presidente Donald Trump afirmou, em entrevista ao programa matinal da Fox Business, que enviou uma carta ao presidente Xi Jinping solicitando explicitamente que a China não forneça armamentos ao Irã. "Pedi ao presidente chinês para não fornecer armas ao Irã; escrevi-lhe e ele me respondeu que não o fará", declarou o mandatário, descrevendo um diálogo direto que busca evitar a escalada militar na região do Golfo e preservar os alicerces frágeis da diplomacia global.
As declarações de Trump surgem no contexto do atual bloqueio naval no Estreito de Hormuz e de uma retórica dura que inclui a ameaça, formulada na semana anterior, de aplicar uma tarifa imediata de 50% a países que escolham armar o Irã. É uma linha de pressão econômica que sinaliza a tentativa de redesenhar, por meios tarifários, a geografia da influência energética.
Ao mesmo tempo, o Financial Times publicou reportagem segundo a qual o Irã teria adquirido, secretamente em 2024, um satélite de reconhecimento chinês TEE-01B, utilizado posteriormente para captar imagens que serviram como base para ataques contra instalações militares americanas no Médio Oriente. Documentos militares iranianos, segundo o jornal, indicam que o satélite registrou imagens da base aérea Prince Sultan, na Arábia Saudita, nos dias 13, 14 e 15 de março — datas em que o próprio presidente americano confirmou que aeronaves na base foram atingidas.
Pequim respondeu com negação formal. O Ministério dos Negócios Estrangeiros acusou "algumas forças" de fabricar rumores maliciosos contra a China, rejeitando qualquer envolvimento direto no fornecimento do satélite ou no armamento do Irã. Ainda assim, a matéria do FT acende sensibilidades regionais profundas: a China é hoje o principal parceiro comercial dos Estados do Golfo e o maior comprador do seu petróleo, uma dependência que molda a tectônica de poder naquela periferia estratégica.
Num plano diplomático paralelo, a delegação chinesa apresentou um plano chinês em quatro pontos para uma solução do conflito entre Estados Unidos e Irã: coexistência pacífica, soberania nacional, respeito ao direito internacional e desenvolvimento ligado à segurança. A proposta — divulgada após o fracasso das negociações em Islamabad — foi formalmente debatida na visita do príncipe herdeiro de Abu Dhabi, Sheikh Khaled bin Mohamed bin Zayed Al Nahyan, recebido por Xi Jinping na Grande Sala do Povo. É uma tentativa de reconstruir canais e dar forma diplomática ao que, de outra forma, poderia degenerar em confrontos diretos.
Em tom comedido, mas firme, Trump avaliou que as oscilações do mercado petrolífero, provocadas pela guerra e por mudanças na Venezuela, não deveriam alterar as dinâmicas essenciais do encontro previsto com Xi Jinping em meados de maio — visita que fora adiada anteriormente após um ataque envolvendo forças israelenses e americanas contra alvos iranianos. "Ele precisa do petróleo. Nós não", observou o presidente, sublinhando a assimetria estratégica que condiciona os interesses energéticos e geopolíticos.
O conjunto de cartas, notícias sobre tecnologia espacial e propostas diplomáticas configura um movimento decisivo no tabuleiro internacional: de um lado, medidas de intimidação económica e pedidos formais; do outro, uma proposta de paz de caráter institucional. A tensão permanece, e os próximos lances — bilaterais e multilaterais — indicarão se prevalecerá a lógica cooperativa do plano chinês ou a escalada tarifária e estratégica que alguns atores parecem dispostos a implementar.