Incêndios não dão trégua na Europa: rogos ativos na França, Grécia, Bélgica, Croácia e Sérvia
Ondas de calor alimentam incêndios ativos na França, Grécia, Bélgica, Croácia e Sérvia; dezenas de milhares de hectares afetados e evacuações em curso.
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Incêndios não dão trégua na Europa: rogos ativos na França, Grécia, Bélgica, Croácia e Sérvia
As excecionais ondas de calor que varrem a Europa desde a primavera reativaram um padrão inquietante: focos de incêndio persistentes e simultâneos que exigem mobilizações coordenadas e esgotam recursos locais. Do sudoeste da França aos arquipélagos gregos, passando pelo Bélgica e pelos Balcãs, o quadro revela tanto a dimensão climática quanto os desafios logísticos do continente.
Na região das Landes, no sudoeste francês, um incêndio reativou-se no amanhecer de Ferragosto. Já foram queimados cerca de 1.580 hectares. Um centenar de novas evacuações elevou o total de deslocados para 650 pessoas, embora nenhuma habitação tenha sido atingida até o momento. O prefeito Gilles Clavreul relatou «riativações relativamente importantes» na área de Garein. As previsões meteorológicas, contudo, apontam para uma ligeira melhoria, com temperaturas menos extremas e possibilidade de chuvas noturnas, aliviando temporariamente a pressão sobre os meios de combate.
Na Grécia vigora máxima alerta: os fortes ventos mantêm o risco de incêndio em patamares muito elevados. Mais de 50 fogos, entre agrícolas e florestais, surgiram nas últimas 24 horas, porém a maioria foi rapidamente controlada. Dois grandes incêndios consumiram áreas em Finikas, na ilha de Creta, e na ilha de Kos, exigindo um amplo dispositivo de meios terrestres e aéreos.
No Bélgica, o incêndio no parque natural das Fagnes, junto à fronteira com a Alemanha, devastou aproximadamente 850 hectares depois de se iniciar ao meio-dia de sexta-feira e alargar-se durante a noite. Foram mobilizados reforços de todas as regiões belgas e apoio transfronteiriço vindo da Alemanha.
Na Croácia, cerca de cem bombeiros combateram durante toda a noite um incêndio na ilha de Dugi, frente a Zadar, que ameaçava habitações; o fogo foi controlado após a intervenção de dois Canadair. Na península de Pelješac, outro incêndio de grandes dimensões mobilizou 240 bombeiros e três Canadair. As autoridades também investigam um incêndio que devastou uma área residencial na região de Omiš, causando uma vítima fatal e cerca de 40 feridos, 10 em estado grave, com numerosas casas e veículos destruídos.
Na Sérvia registavam-se, na noite de sexta-feira, 25 incêndios florestais ativos. O mais extenso cobre cerca de 2.500 hectares na reserva natural de Deliblatska Peščara, a cerca de cinquenta quilómetros de Belgrado, onde trabalham cerca de 300 elementos — bombeiros, militares e serviços de emergência.
Do ponto de vista estratégico, este surto simultâneo de incêndios desenha um cenário no qual a diplomacia da proteção civil e a capacidade de cooperação transfronteiriça são peças decisivas no tabuleiro: reforços e aeronaves cruzam fronteiras, enquanto sistemas locais chegam ao limite. Em termos de política pública, a repetição anual desses episódios exige um redimensionamento dos alicerces da prevenção e uma leitura cartográfica das vulnerabilidades — florestas, interface urbano-florestal e rotas de evacuação — que não pode ser adiada.
Em resumo, as chamas que consomem vastas áreas da Europa não são meramente eventos isolados, mas sinais de uma tectônica de poder climático que força Estados e instituições a moverem peças no tabuleiro com maior celeridade e coordenação. Nas próximas horas, a evolução dependerá tanto da melhora meteorológica anunciada na França quanto da capacidade de resposta continuada nas zonas mais afetadas.