Irã ameaça ataques devastadores e eleva risco de guerra ampliada; Macron descarta ação militar em Hormuz
Irã ameaça ataques devastadores; Macron considera irrealista operação em Hormuz. Tensão cresce, com sirenes em Israel e movimentos diplomáticos globais.
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Irã ameaça ataques devastadores e eleva risco de guerra ampliada; Macron descarta ação militar em Hormuz
Por Marco Severini — A tensão entre o Irã e o Ocidente entrou em nova fase de escalada retórica e militar, com desdobramentos que recolocam no tabuleiro geopolítico o risco de um confronto de maior envergadura. Enquanto o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, proclama “resultados históricos” e renova ameaças contundentes ao regime dos aiatolás — prometendo “atingir com força” e, em termos hiperbólicos, “trazer de volta à Idade da Pedra” — Teerã responde com promessa de “ataques devastadores” contra os Estados Unidos e Israel.
O porta-voz do quartel-general do comando militar iraniano, Ibrahim Zolfaghari, advertiu que “vocês não sabem nada das vastas e estratégicas capacidades da República islâmica e terão de pagar o preço da agressão que desencadearam”. Segundo Zolfaghari, “esta guerra continuará até a vossa humilhação definitiva e permanente, ao vosso arrependimento e rendição”. A ameaça inclui a previsão de ataques “ainda mais devastadores, amplos e destrutivos” além dos já sofridos.
No terreno, as sirenes soaram durante a noite em território israelense em consequência de novos ataques atribuídos ao Irã. Mísseis com ogivas em cluster foram lançados no norte, nas proximidades de Jerusalém; simultaneamente, foguetes disparados por milícias ligadas ao Hezbollah miraram a região de Haifa. O padrão observa uma expansão tanto geográfica quanto de atores, o que agrava a complexidade do conflito.
Nesse convulso cenário, diplomacia e mediação se movem como peças em um jogo de apelos urgentes: o Paquistão, um actor tradicionalmente activo em processos de mediação, confirmou contactos com os Estados Unidos para estudar soluções que possam conduzir ao fim das hostilidades. A China apelou pelo cessar imediato das operações militares.
Na Europa, a cooperação transnacional já se organiza em torno de objetivos limitados e pragmáticos. Segundo nota de Palazzo Chigi, a presença internacional pela tutela da liberdade de navegação mobiliza a coordenação entre a primeira-ministra italiana Giorgia Meloni e o primeiro-ministro britânico Keir Starmer, com foco na desescalada e na proteção das rotas comerciais no teatro estratégico do Golfo Pérsico.
Restrições logísticas e políticas também se fazem sentir: o governo da Áustria recusou todos os pedidos estadunidenses de sobrevoo de seu território, uma indicação de que a consolidação de uma coalizão operacional encontra limites concretos em solo europeu.
Em Seul, o presidente francês Emmanuel Macron classificou como “irrealista” a hipótese de uma operação militar destinada a “libertar” o Estreito de Hormuz pela força, argumento que remete à noção de operações de desgaste prolongado: tal empreitada exigiria um período indefinido e envolveria riscos sistêmicos elevados.
Do lado russo, o porta-voz do Kremlin Dmitry Peskov declarou que o presidente Vladimir Putin está disposto a contribuir para uma resolução da crise e privilegia meios político-diplomáticos. Peskov referiu ainda que o Kremlin acompanhou as declarações do presidente Trump e procura posicionar-se como interlocutor capaz de facilitar um desfecho negociado.
Em suma, o episódio atual é um movimento decisivo no tabuleiro da estabilidade regional: a retórica indica intenção de escalada, os ataques ampliam o alcance do conflito e a diplomacia, por ora, tenta erguer salvaguardas que impeçam o redesenho de fronteiras invisíveis e a erosão dos alicerces da navegação e do comércio internacional. A comunidade internacional enfrenta, portanto, a necessidade de combinar contenção militar limitada com iniciativas diplomáticas robustas, evitando que a tectônica de poder converta um teatro regional em conflagração mais ampla.