Irã propõe reabertura do Estreito de Hormuz e limitações ao urânio; Trump avalia acordo que inquieta Israel

Irã propõe reabrir o Estreito de Hormuz e limitar enriquecimento do urânio em troca do fim das sanções; Trump avalia acordo que preocupa Israel.

Irã propõe reabertura do Estreito de Hormuz e limitações ao urânio; Trump avalia acordo que inquieta Israel

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Irã propõe reabertura do Estreito de Hormuz e limitações ao urânio; Trump avalia acordo que inquieta Israel

Marco Severini — Em um movimento que pode redesenhar linhas de influência na região persa, surgem detalhes da proposta iraniana que, segundo relatos, está sendo avaliada pelo presidente Donald Trump. Fontes da mídia regional e americana indicam que Teerã ofereceu concessões substanciais, mas condicionadas ao levantamento amplo de pressões financeiras e políticas.

De acordo com reportagens do canal Al Arabiya e da CBS, o Irã propôs a reabertura do Estreito de Hormuz mediante uma renúncia temporária à cobrança de pedágios sobre as embarcações em trânsito — uma medida de alto impacto simbólico e econômico no tabuleiro estratégico do Golfo Pérsico. Em paralelo, Teerã teria apresentado termas técnicos sobre seu programa nuclear: suspensão por dez anos do enriquecimento de urânio além de 3,6% e o diluimento, dentro do próprio território, dos estoques que excedam 20% de enriquecimento.

O memorando de entendimento incluiria ainda um compromisso explícito de não desenvolver armas nucleares. Entretanto, o Irã mantém, no texto proposto, o direito limitado ao enriquecimento de urânio dentro de futuros acordos, uma cláusula que preserva prerrogativas tecnológicas e soberanas.

Do lado iraniano, a oferta é acompanhada de exigências firmes: a revogação completa das sanções e o desbloqueio dos ativos iranianos congelados por várias jurisdições antes do início das negociações nucleares. Segundo a CBS, o pacote incluiria também um processo escalonado para desbloquear bens retidos em bancos estrangeiros e uma agenda de continuidade das conversações.

O anúncio potencial, que o Washington Times diz poder ocorrer até a tarde de domingo, teria por base uma minuta de acordo finalizada nas primeiras horas de sábado e aprovada por interlocutores-chave: o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, o vice-presidente americano J.D. Vance, o enviado especial Steve Witkoff e Jared Kushner, genro do presidente dos EUA. A minuta teria sido remetida aos chefes de Estado para aval final.

A recepção diplomática é, contudo, tensa. Fontes citadas pela Axios indicam que o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, declarou estar "profundamente preocupado" com a proposta e pressionou o presidente Trump a lançar uma nova onda de ataques contra o Irã — posicionamento que revela o atrito entre considerações de estabilidade regional e demandas de segurança aliada. Trump, por sua vez, teria reiterado em público que não aceitará um acordo que não beneficie Israel.

Do ponto de vista estratégico, trata-se de um movimento que remonta aos alicerces da Realpolitik: o Irã oferece concessões técnicas e mercadológicas no núcleo de um ponto de estrangulamento global — o Estreito de Hormuz — em troca da remoção de pressões financeiras que corroem sua margem de manobra. É um lance calculado no tabuleiro, onde cada peça — energia, finanças, credibilidade — determina o espaço de resposta dos atores externos.

Se confirmada, a proposta exigirá decisões difíceis em Washington: aceitar concessões verificáveis e rapidez na entrega de contrapartidas econômicas, ou manter uma postura maximalista que pode reabrir rixas e elevar a tensão militar. A tectônica de poder na região, por ora, faz-se sentir entre promessas formais e interesses estratégicos profundos.