Israel aceita negociações diretas com o Líbano após pressão de Trump; ofensiva continua e Irã condiciona trégua

Israel aceita negociações diretas com o Líbano após pressão de Trump; ofensiva contra Hezbollah prossegue e Irã condiciona trégua com controle do Estreito de Hormuz.

Israel aceita negociações diretas com o Líbano após pressão de Trump; ofensiva continua e Irã condiciona trégua

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Israel aceita negociações diretas com o Líbano após pressão de Trump; ofensiva continua e Irã condiciona trégua

Por Marco Severini — Em um movimento calculado no tabuleiro de poder do Oriente Médio, Israel anunciou que aceitará iniciar colóquios diretos com o Líbano nos próximos dias, após apelos reiterados de atores externos, entre os quais figura o presidente Donald Trump. A aceitação dos contatos — descrita por Tel Aviv como um gesto diplomático — não implicou, porém, qualquer pausa imediata nas operações militares: o governo de Benjamin Netanyahu deixou explícito que não haverá cessar-fogo no terreno e que a ofensiva contra o Hezbollah segue com intensidade.

O sul de Beirute foi alvo de repetidos ataques, forçando deslocamentos da população civil e criando um cenário de fragilidade para a já tênue trégua anunciada por Trump para um período de duas semanas. Essa fragilidade, por sua vez, ameaça comprometer as negociações entre Irã e Estados Unidos, que o Paquistão convocou para o fim de semana. A tectônica das potências regionais volta a deslocar-se sobre linhas muito finas.

O ponto nevrálgico permanece: o que estava contemplado, explicitamente, na proposta americana de trégua? Para Israel, o teatro libanês não fazia parte do acordo. Para Teerã, pelo contrário, esse era o primeiro dos dez pontos apresentados como base para o cessar-fogo. O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, que deve liderar a delegação a Islamabad, afirmou que "os acordos perdem sentido após violações da trégua" e reafirmou que "o Líbano e todo o Eixo da Resistência, como aliados do Irã, são parte integrante do cessar-fogo (Ponto 1 da proposta de 10 pontos)".

Em paralelo, Teerã deixou claro um gesto de pressão estratégica: abrirá o Estreito de Hormuz a não mais do que 15 navios por dia, uma medida que se traduz em uma forma de pedágio controlado sobre linhas vitais de navegação. O presidente Massoud Pezeshkian foi firme: "Nosso dedo permanece no gatilho. O Irã não abandonará nunca as irmãs e irmãos libaneses".

A breve pausa nos ataques permitiu aos iranianos realizar ritos públicos de memória: marcaram-se as cerimônias pelo 40º dia desde a morte do aiatolá Ali Khamenei, com milhares de pessoas nas ruas de Isfahan e a inauguração de um mural em sua homenagem em Teerã. No front diplomático, a Casa Branca pressionou por moderação: segundo a NBC, Trump telefonou para Netanyahu pedindo contenção para criar espaço às negociações; o enviado especial Steve Witkoff atuou de igual modo. O vice-presidente J.D. Vance chegou a afirmar que Israel havia se oferecido a "se controlar um pouco" no Líbano, enquanto a cobertura do Axios indicava que nenhum departamento americano teria até então um domínio completo do dossiê libanês.

Apesar das pressões, Netanyahu manteve inicialmente um tom beligerante — "Continuaremos a golpear o Hezbollah com força, precisão e determinação", escreveu nas redes — antes de aceitar solicitar oficialmente os contactos com Beirute. O primeiro encontro está previsto para a próxima semana no Departamento de Estado, em Washington, em nível de embaixadores: o americano Michel Issa, o israelense Yechiel Leiter e a libanesa Nada Hamadeh-Moawad deverão sentar-se à mesa. Entretanto, nenhuma suspensão das hostilidades foi anunciada no terreno, mesmo após repetidos pedidos de aliados tradicionais.

Entre esses aliados, a Alemanha manifestou preocupação pública: o chanceler Friedrich Merz alertou que os ataques podem pôr em risco o já difícil diálogo diplomático. Num jogo de arquitetura clássica das relações internacionais, cada movimento político e militar desenha alicerces ou provoca rachaduras, e o resultado ainda é incerto. O cenário permanece de alta tensão, um tabuleiro em que cada ator avalia riscos e ganhos, enquanto a comunidade internacional observa, calibrando pressões e incentivos para evitar um redimensionamento mais amplo do conflito.