Papa alerta: Desenvolvimento tecnológico ao serviço da guerra representa um regresso — 'rotas de paz' nos céus
Papa critica uso militar da tecnologia e pede que voos sejam 'rotas de paz'; ITA Airways e Lufthansa ouvidas em audiência papal.
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Papa alerta: Desenvolvimento tecnológico ao serviço da guerra representa um regresso — 'rotas de paz' nos céus
Por Marco Severini — Em um pronunciamento de tom severo e meditativo, o Papa denunciou que o desenvolvimento tecnológico, embora intrinsecamente positivo, está sendo instrumentalizado para fins bélicos, o que equivale a um claro regresso civilizacional. Recebendo em audiência o pessoal da ITA Airways e da Lufthansa, o Pontífice foi categórico: 'Os aviões deveriam ser sempre vetores de paz, nunca de guerra. Ninguém deveria temer que do céu venham ameaças de morte e destruição'.
Recordando as feridas do século XX e o horror dos bombardeios aéreos, o Papa observou que aquelas experiências trágicas deveriam ter tornado o uso aéreo para fins militares algo vetado para sempre. No entanto, e aqui está a advertência estratégica: 'o desenvolvimento tecnológico, em si positivo, é posto a serviço da guerra. Isto não é progresso, é regresso.'
Num mapa de intenções e simbolismos, o Pontífice também traçou a continuidade histórica dos voos papais. A partir de São Paulo VI, os deslocamentos apostólicos por via aérea mantêm vínculo estreito com a companhia aérea de bandeira italiana — primeiro Alitalia, hoje ITA Airways — e, nesta audiência, o Papa vinculou esse fio à colaboração com a Lufthansa. 'A história das viagens apostólicas dos Papas em avião está ligada de modo especial à companhia de bandeira italiana', disse o Pontífice, acrescentando que, se for da vontade divina, fará uso desse serviço novamente em cerca de vinte dias para uma viagem ao continente africano.
Com a serenidade de quem pensa o tabuleiro geopolítico a médio e longo prazo, o Papa teceu elogios ao profissionalismo e à acolhida do pessoal das empresas aéreas: profissionais qualificados que criam um ambiente sereno, quase familiar, onde o respeito converge com a devoção. Essa atenção, sublinhou, é um ativo diplomático de grande valor num tempo de fragilidades e tensões.
Por fim, o Pontífice reafirmou que os voos papais são símbolos eloquentes da missão dos Sucessores de Pedro na era contemporânea. 'Em seus trajetos apostólicos, o Papa aparece a todos como mensageiro de paz: as suas rotas devem ser pontes de diálogo, encontro e fraternidade.' A metáfora é clara: no grande tabuleiro global, as rotas aéreas podem ser tanto corredores de tensão quanto linhas mestras de reconciliação. Cabe à diplomacia e à responsabilidade ética garantir que prevaleçam as segundas.
Num mundo em que a tectônica de poder se move com rapidez e onde a arquitetura das alianças se redesenha, a exortação papal soa como um chamado prudente para que o progresso técnico seja orientado pelos alicerces da paz e não do conflito.