Embaixador israelense Peled: Unifil deve permanecer nas bases e coordenar-se com a IDF
Peled pede que a Unifil permaneça nas bases e coordene com a IDF; alerta sobre Irã e necessidade de neutralizar Hezbollah no sul do Líbano.
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Embaixador israelense Peled: Unifil deve permanecer nas bases e coordenar-se com a IDF
Por Marco Severini — Em Roma, o embaixador de Israel, Jonathan Peled, traçou uma leitura estratégica do recente episódio envolvendo capacetes-azuis italianos e a presença da Unifil no sul do Líbano. Em tom sóbrio e com a visão de quem observa o tabuleiro regional, Peled pediu que a força da missão da ONU permaneça nas suas posições e coordene todos os movimentos com as Forças de Defesa de Israel, a IDF, “para garantir a máxima proteção do pessoal da missão”, diante de uma área que, segundo ele, se tornou uma zona de combate ativo.
O incidente que envolveu militares italianos foi, conforme descrito pelo diplomata, objeto de conversas entre os ministros de Relações Exteriores de Israel e da Itália. A avaliação de Roma e de Jerusalém, na leitura do embaixador, é a de que houve um mal-entendido operativo entre a Unifil e a IDF, resultante de coordenação insuficiente entre as partes.
Num movimento que busca redesenhar os alicerces da diplomacia na região, Peled recordou que o Conselho de Segurança das Nações Unidas estabeleceu o encerramento do mandato da Unifil até o final de 2026. Para o representante israelense, trata-se do momento de iniciar a retirada das tropas da missão, postura que enquadra como parte de uma reconfiguração necessária à segurança nacional de Israel.
No capítulo sobre a escalada em Beirute, onde a semana anterior registrou ataques do IDF, o embaixador contestou números e narrativas ao afirmar que as vítimas apontadas como civis seriam, na avaliação israelense, combatentes do Hezbollah. Essa diferença de interpretação sublinha, nas suas palavras, a complexidade da informação em zonas de conflito e a urgência de clareza operacional.
Sobre o desafio iraniano, Peled advogou por uma mistura — rigorosa e calibrada — de pressão diplomática e capacidade militar: “precisamos de uma combinação de força militar e pressão internacional”, disse, ao sublinhar que o objetivo final é a renúncia da República Islâmica a uma capacidade nuclear e a mísseis balísticos. À luz do fracasso das conversações em Islamabad, o embaixador avaliou que Teerã segue taticamente disposto a ganhar tempo, deixando os Estados Unidos e seus aliados com a decisão entre maior pressão diplomática ou medidas mais contundentes.
Por fim, reafirmando a ausência de disputa territorial com o Líbano — lembrando o recuo israelense há 26 anos — Peled enfatizou a necessidade de eliminar a ameaça do Hezbollah no norte e no centro de Israel. “É do interesse de ambos os governos encontrar uma solução para neutralizar o Hezbollah”, disse, apontando para negociações como o caminho preferível, mas sem descartar outras modalidades de pressão. No tabuleiro da estabilidade regional, disse ele, as jogadas devem ser feitas com precisão: a segurança nacional exige coordenação, clareza de regras e, se necessário, medidas decisivas.