Tajani: Itália reafirma aliança com os EUA, mas insiste — “não somos súditos”

Tajani afirma que a Itália é aliada, não súdita dos EUA; busca recuperar as relações, preservar soberania e reforçar cooperação na NATO.

Tajani: Itália reafirma aliança com os EUA, mas insiste — “não somos súditos”

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Tajani: Itália reafirma aliança com os EUA, mas insiste — “não somos súditos”

Por Marco Severini — Em um gesto de contenção após uma semana de tensões públicas entre a premiê Giorgia Meloni e Donald Trump, o ministro das Relações Exteriores, Antonio Tajani, estabeleceu com clareza o posicionamento italiano: a Itália permanece um aliado dos Estados Unidos, porém não uma nação submissa. Em entrevista ao Corriere della Sera, Tajani anunciou que, embora tenha cancelado a participação no fórum na Flórida, comparecerá "de cabeça erguida" ao recepção em Villa Taverna pelos 250 anos dos EUA.

Na minha leitura, que privilegia a ordem estratégica e a prudência das grandes arquiteturas de poder, esse movimento tem a marca de um ajuste no tabuleiro: reduzir as arestas sem sacrificar os alicerces da parceria transatlântica. Tajani foi taxativo: "A política externa não se faz com ofensas e com os últimos ataques imotivados, cui foi sacrosanto responder". E reforçou que ser aliados leais dos EUA "não significa renunciar à nossa soberania: não somos súditos de ninguém".

O chefe da Farnesina sublinhou que a premier "defendeu a Itália e fez bem" e que, como diplomata-chefe, adotará uma postura firme para que qualquer equívoco seja superado. Os contatos com o senador e secretário Marco Rubio — segundo Tajani — nunca foram interrompidos: ele comunicou a decisão de não participar do fórum em Miami, mas ressaltou que o encontro ocorrerá no contexto do Nato em Ancara, onde as conversas serão retomadas pessoalmente.

Há aqui um cálculo prático e estratégico: evitar que o atrito se converta em prejuízo político, econômico ou diplomático. "A Itália e a Europa precisam de uma relação sólida com os Estados Unidos; da mesma forma os EUA precisam da Europa e da Itália", disse Tajani, apontando para a interdependência que atravessa a atual tectônica de poder ocidental.

Entre as demandas levantadas pelos americanos, segundo o ministro, estiveram pedidos políticos relacionados a maiores despesas com defesa e apoio a certas iniciativas no Médio Oriente. A resposta italiana, conforme a declaração, seguirá o compasso dos interesses nacionais, da Constituição e do posicionamento internacional do país: decisões de Estado, não de alinhamento acrítico.

Sobre as ameaças públicas de Trump de retirada da Nato, Tajani frisou que o governo não confunde a aliança com o povo americano ou com a adesão pessoal a um líder. "O atlanticismo não é trumpismo, bidenismo ou obamismo — é uma escolha de campo estratégica", afirmou, descartando qualquer "reposicionamento". A linha, sintetizou ele, é clara: amizade com os Estados Unidos, soberania da Itália e mais Europa dentro da Nato.

Como analista, vejo essa declaração como um movimento de contenção bem calibrado: reafirma a fidelidade aos compromissos históricos sem ceder ao risco de subordinação. É o gesto de um Estado que procura gerenciar as fraturas do diálogo internacional preservando seus espaços de autonomia — um lance de xadrez diplomático em que se evita trocar a torre para salvar o rei.