Europa erra a lição: reforça combustíveis fósseis enquanto China e Índia aceleram nas renováveis

Crise no Estreito de Ormuz expõe dependência dos combustíveis fósseis; China e Índia aceleram renováveis enquanto Europa recua em parte.

Europa erra a lição: reforça combustíveis fósseis enquanto China e Índia aceleram nas renováveis

RESUMO ✦

Sem tempo? A Lili IA resume para você

Gerando resumo com IA...

Europa erra a lição: reforça combustíveis fósseis enquanto China e Índia aceleram nas renováveis

A guerra no Irã escancarou a vulnerabilidade global às rotas frágeis dos combustíveis fósseis e reacendeu a urgência de acelerar a transição para energias renováveis. As hostilidades praticamente interromperam as exportações de petróleo pelo Estreito de Ormuz, passagem marítima pela qual circula cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito (GNL) do mundo — um lembrete duro de que dependências externas geram riscos sistêmicos.

As perturbações sacudiram os mercados de energia: preços subiram e economias dependentes de importações sentiram a pressão. A Ásia, destino da maior parte do petróleo, foi a mais atingida; mas os efeitos reverberam na Europa, onde autoridades buscam formas de reduzir a demanda, e na África, que se prepara para enfrentar aumento dos custos de combustíveis e da inflação.

Serviços La Via Italia — O conteúdo continua após a publicidade.

Continuação do Conteúdo ↘

Diferentemente de choques petrolíferos do passado, hoje muitas fontes limpas já são competitivas com os fósseis. Segundo dados da Agência Internacional para as Energias Renováveis (IRENA), mais de 90% dos novos projetos de energia renovável em 2024 saíram mais baratos que alternativas fósseis. É um ponto de inflexão: a transição energética deixou de ser apenas desejável e passou a ser, em muitos casos, economicamente vantajosa.

O problema é que o petróleo não alimenta só usinas elétricas — ele é insumo para fertilizantes, plásticos e diversas indústrias. Assim, quase todos os países sentem o impacto das rupturas. Aqueles com maior participação de renováveis no mix energético estão mais protegidos: sol e vento são recursos domésticos que não dependem de rotas vulneráveis nem de contrato de importações.

— Estas crises são recorrentes — observa James Bowen, da consultoria ReMap Research, em análise para a Espresso Italia. — São uma característica, não uma anomalia, de um sistema baseado em combustíveis fósseis.

Serviços La Via Italia — O conteúdo continua após a publicidade.

Continuação do Conteúdo ↘

China e Índia, os dois países mais populosos, enfrentam o desafio de gerar energia suficiente para sustentar o crescimento de mais de um bilhão de pessoas cada. Ambos ampliaram a produção a partir de fontes limpas; a China fez isso em escala muito maior, apesar de continuar fortemente dependente do carvão.

Hoje a China é o país líder em capacidade renovável e tem avançado na eletrificação do transporte: aproximadamente um em cada dez carros circulando ali é elétrico, aponta a Agência Internacional de Energia. Ainda assim, Pequim permanece como maior importador mundial de petróleo bruto e grande comprador de petróleo iraniano. A diferença é que a eletrificação impulsionada por renováveis reduziu a vulnerabilidade do país a choques de oferta.

— Sem essa transição, a China seria muito mais exposta às interrupções de fornecimento e às oscilações de preço — ressalta Lauri Myllyvirta, do Centre for Research on Energy and Clean Air, em comentário à Espresso Italia. Além disso, reservas acumuladas em momentos de preços baixos e a flexibilidade de trocar combustíveis industriais ajudam a amortecer impactos.

A Índia também ampliou seu parque solar e outras fontes limpas, porém a ritmo mais lento. Enquanto isso, parte da Europa parece estar revertendo o aprendizado: em vez de acelerar a aposta nas energias renováveis, há sinais de reforço temporário em combustíveis fósseis, por pressões de curto prazo — uma escolha que ilumina riscos para o futuro.

Há aqui um dilema de políticas públicas e de visão estratégica. Investir em renováveis é semear segurança energética e reduzir exposição geopolítica. É também, com um olhar claro para o legado, cultivar um horizonte mais limpo e resiliente para gerações futuras — um lampejo de progresso que merece ser ampliado e não ofuscado por decisões imediatistas.

Serviços La Via Italia — O conteúdo continua após a publicidade.

Continuação do Conteúdo ↘