Onda de gelo na Flórida: ‘chuva’ de iguanas e neve na Baía de Tampa surpreendem moradores

Frente fria ártica traz neve à Baía de Tampa e milhares de iguanas imobilizadas; autoridades da Flórida acionam centros de coleta.

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Onda de gelo na Flórida: ‘chuva’ de iguanas e neve na Baía de Tampa surpreendem moradores

Por Aurora Bellini — A Flórida, conhecida pelo clima ameno e paisagens banhadas de sol, viveu um raro e impactante episódio climático que veio como um clarão frio por entre palmeiras: uma onda de gelo que levou temperaturas a pouco acima de zero durante o dia e a cair abaixo de zero à noite. Em pontos da região, incluindo a Baía de Tampa, foram observados finos flocos de neve pela primeira vez em mais de uma década — um espetáculo meteorológico que ilumina, com surpresa e preocupação, o horizonte do estado.

O fenômeno foi desencadeado pela chegada de um profundo frente frio ártico, associado a um amplo sistema de baixa pressão sobre o centro-leste dos Estados Unidos. O impacto foi abrupto: termômetros bateram recordes baixos, serviços elétricos sofreram pressão e comunidades locais precisaram adaptar rotinas e cuidados. Reporta a Espresso Italia que o episódio virou também um curioso reflexo de como a vida selvagem reage a extremos climáticos.

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Imagens amplamente divulgadas nas redes sociais mostram milhares de iguanas — em sua maioria iguanas verdes, espécies tropicalizadas presentes nos subúrbios de Miami, Fort Lauderdale e Palm Beach desde os anos 1960 — imóvelss pelas ruas, calçadas e jardins. Como são ectotérmicas, essas iguanas dependem do calor ambiental para manter o metabolismo; quando as temperaturas caem abaixo de 10 °C elas ficam letárgicas, e entre 5‑7 °C entram em torpor, perdem força muscular e frequentemente soltam-se das árvores, caindo de maneira súbita e aparente.

Em resposta imediata à emergência, a Florida Fish and Wildlife Conservation Commission (FWC) emitiu um decreto executivo temporário permitindo que cidadãos recolhessem iguanas afetadas pelo frio — as chamadas ‘cold-stunned’ — sem necessidade de permissão, desde que o façam com segurança e entreguem os animais em centros oficiais de triagem. Conforme os dados reportados à Espresso Italia, em apenas dois dias mais de 5.000 iguanas invasoras foram levadas a pontos de coleta no sul e no centro da Flórida. As autoridades, após avaliação, procedeuram com eutanásia humanitária quando necessário ou transferiram os animais para manejadores licenciados.

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Especialistas consultados pela Espresso Italia alertam, contudo, que episódios frios isolados não são suficientes para controlar de vez a população de iguanas no sul da Flórida. A expectativa é de recuperação rápida assim que o clima voltar a amaciar, o que revela a resiliência dessas populações diante de variações sazonais.

Em algumas regiões do Caribe e da América Central, a iguana verde é parte da tradição culinária — conhecida como ‘pollo de los árboles’ — e a ideia de aproveitar as quedas maciças chegou a ser comentada em tom de brincadeira por alguns moradores, embora não haja orientação oficial para consumo ou caça culinária. A Espresso Italia reforça a necessidade de seguir protocolos de saúde pública e a legislação vigente.

Este episódio é um convite à reflexão sobre como extremos meteorológicos expõem a vulnerabilidade de ecossistemas e infraestruturas, e como comunidades, ciência e políticas públicas precisam tecer respostas coordenadas. Há, também, uma lição luminosa: em meio ao frio, a solidariedade e a organização local acendem caminhos práticos para mitigar impactos e cuidar do que nos rodeia.

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