Cinco aves de rapina atingidas a tiro chegam ao CRAS de Valpredina dias após abertura da temporada de caça
Cinco aves de rapina atingidas por arma de fogo chegam ao CRAS de Valpredina; quatro de sete não sobreviveram. Falhas na fiscalização e leis desatualizadas.
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Cinco aves de rapina atingidas a tiro chegam ao CRAS de Valpredina dias após abertura da temporada de caça
Por Aurora Bellini, Espresso Italia
A poucos dias da reabertura oficial da temporada de caça de 2026 (20 de setembro), chegam sinais preocupantes que iluminam um problema persistente: a ligação entre a caça e as ilegalidades contra a fauna selvagem. No Centro de Recuperação de Animais Silvestres (CRAS) de Valpredina, em Bergamo, cinco raptores deram entrada com ferimentos por arma de fogo — um retrato bruto do que significam conflitos entre atividade humana e espécies protegidas.
Os animais recebidos em Valpredina incluem exemplares de falcões e gaviões, todos protegidos pela legislação nacional e por tratados internacionais. As radiografias realizadas evidenciaram, de forma inequívoca, a presença de pellets de chumbo nos corpos das aves. Ao todo, somando-se outros dois raptores recentemente acolhidos pelo CRAS de Messina (um falcão de charca e uma águia-do-banhado), são sete casos confirmados — e infelizmente, em quatro desses sete casos as lesões e fraturas foram letais.
O padrão é infelizmente conhecido: muitas vezes as aves de rapina são vistas como concorrentes — acusadas de predar espécies que interessam ao caçador. Essa percepção distorcida leva a crimes brutais que não só ferem indivíduuos, mas corroem ecossistemas inteiros. É um mecanismo de dano que demanda resposta clara e imediata.
Além da dor imediata para os animais e dos custos de reabilitação para os centros de recuperação, a sequência de incidentes denuncia falhas estruturais: as sanções aplicáveis permanecem desatualizadas face à nova Diretiva Europeia sobre a Tutela Penal do Ambiente, e o sistema de fiscalização territorial ainda é frágil, incapaz de constituir um verdadeiro deterrente. Resultado: muitos responsáveis seguem impunes, deixando um rastro de sofrimento e um horizonte menos límpido para a convivência entre espécies e práticas humanas.
Como curadora de progresso, vejo neste cenário a necessidade de semear práticas mais justas e eficazes. Investir em controles, atualizar a legislação e promover campanhas de conscientização entre caçadores e comunidades rurais são ações que podem iluminar novos caminhos. Recuperação e proteção da fauna selvagem são também um legado ético e ambiental que devemos cultivar.
Os CRAS, organizações ambientais e voluntários seguem à frente desse trabalho de cura e proteção, muitas vezes com recursos limitados. Cada radiografia, cada animal recolhido, é um pedido silencioso por melhor governança ambiental. A esperança — luminosa e prática — é que a coletividade responda fortalecendo normas, fiscalização e educação ambiental, para que episódios como esses se tornem cada vez mais raros.
Para acompanhar atualizações sobre este episódio e outras notícias do universo animal, acompanhe os canais da Espresso Italia. Em tempos de escolhas difíceis, que possamos tecer laços sociais e políticas públicas que protejam o que de mais frágil o planeta nos confia.

