Setenta cães resgatados de fazenda de abate na Coreia do Sul; proibição do consumo entra em vigor em fevereiro
Setenta cães resgatados em Gangjin, Coreia do Sul; proibição do consumo de carne canina começa em fevereiro. Adoções e reabilitação em curso.
RESUMO ✦
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Setenta cães resgatados de fazenda de abate na Coreia do Sul; proibição do consumo entra em vigor em fevereiro
Uma operação humanitária de grande escala retirou setenta cães salvos de uma fazenda na floresta de Gangjin, na Coreia do Sul, onde eram mantidos para o abate e destino ao mercado de carne. A ação foi coordenada pela organização Humane World for Animals (HWA), que assumiu a tutela dos animais e agora organiza adoções e cuidados veterinários.
O resgate acontece em um momento decisivo: a partir de fevereiro entrará em vigor a proibição do consumo de carne canina para fins humanos no país. Essa mudança legislativa acelerou tentativas de retirada rápida de animais por traficantes, o que torna o salvamento ainda mais urgente e simbólico — um lampejo de esperança enquanto uma cultura que vinha mudando começa a se traduzir em legislação.
Os cães resgatados em Gangjin são de raças e misturas diversas: havia Jindo, um pastor alemão, além de cães de porte médio e pequeno, como cruzamentos de corgi, husky e vários spitz. Eles são os últimos sobreviventes de um estabelecimento que, em seu auge, chegou a criar e abater até 1.000 cães por ano. O cenário encontrado pelos voluntários era de abandono: grades enferrujadas, coleiras jogadas no chão e ossos de cães mortos, vestígios de um sofrimento antigo que agora dá lugar a cuidados e reabilitação.
Esse resgate reflete uma transformação cultural mais ampla na região: o consumo de carne canina, comum até não faz tanto tempo em alguns segmentos da sociedade sul-coreana, vem sofrendo declínio — um processo parecido com o registrado em outras nações do Leste Asiático, como a China. Muitas mudanças sociais precederam decisões políticas; e agora que a lei acompanha essa mudança de valores, espera-se um horizonte mais límpido para os animais afetados.
Dados citados pela própria HWA indicam que, desde a aprovação da proibição em 2024, apenas uma fração mínima dos cães criados para consumo foi salva — cerca de 0,3% — o que evidencia a magnitude do desafio ainda por enfrentar. A Humane World for Animals é, segundo a organização, a única entidade internacional que realiza operações de resgate em grande escala nesses estabelecimentos e coordena adoções no exterior, oferecendo um fio de luz para vidas que estavam marcadas pela sombra.
"Por mais de dez anos nossas equipes expuseram o que acontece dentro desses canis industriais", declarou Sangkyung Lee, responsável pelas campanhas da HWA na Coreia do Sul. "Enfrentamos o peso de testemunhar tanto sofrimento, mas também vimos que a transformação é possível quando a sociedade e a legislação caminham juntas. Precisamos agora do apoio contínuo para reabilitar esses animais e encontrar lares amorosos."
Os cães resgatados passam por avaliação veterinária, recuperação física e socialização antes de serem encaminhados para adoções, nacionais e internacionais. A operação é um lembrete de que o progresso social — como o cultivo de valores mais compassivos — não é instantâneo, mas pode ser semeado e nutrido: cada animal salvo é uma semente de mudança.
Enquanto o país se prepara para a proibição que entra em vigor em fevereiro, organizações como a HWA continuam a iluminar caminhos para a proteção animal, promovendo adoções e mobilizando redes de solidariedade que transformam dor em cuidado e abandono em lares.

