Bettini: centrosinistra deve deixar para trás a 'palude' da premiership
Bettini pede que o centrosinistra abandone a discussão sobre a premiership e foque na unidade, generosidade política e na vitória contra a direita.
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Bettini: centrosinistra deve deixar para trás a 'palude' da premiership
Goffredo Bettini, dirigente nacional do PD e diretor da revista Rinascita, traçou nesta terça-feira um roteiro claro para o futuro do campo progressista: parar de discutir a premiership e concentrar-se nas prioridades políticas e na construção de uma frente unitária. Em entrevista a La Stampa, Bettini pediu que o centrosinistra deixe de alimentar disputas internas que apenas favorecem a direita.
"Como sair da palude da premiership? Muito simples: não falar mais disso", disse Bettini, lembrando que a destra sofreu uma derrota e agora tenta explorar as divisões internas e a confusão de comentaristas. Para ele, após o voto massivo pelo no no referendo, Giuseppe Conte reafirmou solenemente sua aliança com o campo progressista e manifestou abertura para o rito das primarie, prática que faz parte da história da esquerda italiana.
Bettini alertou contra interpretações maliciosas e manobras que, segundo ele, só trariam prejuízo: "Há em circulação muitas manobras fantasiosas que só podem fazer mal". O dirigente defende partir do que já existe — lideranças democráticas com "grande autorevolezza" — sem recorrer a "federatori ou papas estrangeiros". A metáfora é clara: trata-se de consolidar os alicerces da coalizão e reforçar a ponte entre as forças políticas, em vez de tentar soluções espetaculares e externas.
Reagindo a interpretações sobre suas palavras, Bettini negou qualquer intenção de favorecer uma troca de liderança entre Elly Schlein e Conte. "Não pretendia sugerir: 'você sai e eu entro'", afirmou. O que ele defende é uma escolha inspirada pela generosidade política — entendida como renúncia a intransigências, confiança mútua e prioridade ao objetivo comum de derrotar a direita italiana, acima de ambições pessoais.
Sobre a possibilidade de transformar o impulso do no no referendo em vitória eleitoral nas próximas eleições, Bettini mostrou cautela: há, sim, um movimento democrático amplo e espontâneo por trás do voto contrário, mas não é automático que esse mesmo eleitorado se traduza idêntico nas eleições. Muitos jovens, observou, manifestaram-se por razões diversas: busca de paz, receio de perdas de espaço para liberdade e criatividade, reação à precariedade e solidariedade em face de massacres em territórios como a Palestina, além da defesa de direitos individuais.
Para manter esse novo fio de diálogo com o eleitorado, concluiu Bettini, o campo progressista precisa afastar qualquer instrumentalização, pedagogismo ou paternalismo. A prioridade imediata, disse ele, é continuar a luta desde a oposição, construir um entendimento unitário sobre as questões fundamentais do programa e transformar a energia democrática em um projeto eleitoral coeso: erguer, passo a passo, os alicerces de uma vitória possível.