Buonguerrieri: perícia afirma que protocolo 'Tachipirina e vigile attesa' elevou mortalidade por Covid

Perícia diz que protocolo 'Tachipirina e vigile attesa' carecia de base científica e pode ter aumentado a mortalidade por Covid, diz Buonguerrieri.

Buonguerrieri: perícia afirma que protocolo 'Tachipirina e vigile attesa' elevou mortalidade por Covid

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Buonguerrieri: perícia afirma que protocolo 'Tachipirina e vigile attesa' elevou mortalidade por Covid

Por Giuseppe Borgo — Em mais um relatório que reforça dúvidas já levantadas em audiências, a deputada do Fratelli d'Italia Alice Buonguerrieri voltou a cobrar responsabilidades sobre as diretrizes do Ministério da Saúde que recomendaram Tachipirina e vigile attesa no manejo inicial da Covid-19. Segundo a parlamentar, integrante da comissão de inquérito sobre a gestão da pandemia, a conclusão consta da perícia técnica entregue à comissão pela dra. Simona Amato, consultora nomeada pelo escritório da presidência da comissão.

O documento pericial, segundo Buonguerrieri, indica que as circulares ministeriais de novembro de 2020 e abril de 2021 não tinham um suporte científico robusto. A avaliação técnica destaca que a estratégia de vigile attesa — postura de acompanhar sem intervenção precoce — é justificável quando a doença apresenta probabilidade elevada de cura espontânea e baixo risco de evolução grave. Não era, porém, o cenário colocado pelas primeiras variantes do vírus, que se mostraram capazes de provocar elevados índices de hospitalização e mortalidade, sobretudo entre os grupos mais frágeis.

Além disso, a perícia chama atenção para a recomendação do uso exclusivo de paracetamol (a substância ativa da Tachipirina), observando que a literatura científica da época apontava efeitos do paracetamol sobre níveis de glutationa — um antioxidante celular fundamental — o que poderia, em teoria, influenciar a progressão da doença. A consultora considera, portanto, razoável supor uma correlação entre as diretrizes focadas em vigilância e paracetamol e o aumento da mortalidade observado na Itália.

Na ótica de Buonguerrieri, esses achados colocam o “peso da caneta” nas mãos do então ministro da Saúde, Roberto Speranza, exigindo que ele preste esclarecimentos formais à comissão sobre os critérios adotados. "Riteniamo dunque doveroso che l'allora ministro della Salute risponda di questi dati", afirmou a deputada, traduzindo o princípio de que a arquitetura das decisões públicas deve ter alicerces técnicos e ser transparente para a cidadania.

O episódio reabre uma questão central na relação entre ciência, política e direitos: até que ponto orientações oficiais — emitidas no calor da emergência — foram adequadamente ancoradas em evidências e comunicadas à população? Como repórter e ponte entre as instituições e os cidadãos, insisto que não se trata apenas de atribuir culpas, mas de reconstruir os alicerces da confiança pública, derrubando barreiras burocráticas que impedem a responsabilização quando os dados indicam falhas.

Buonguerrieri também foi recentemente entrevistada pelo Giornale d'Italia sobre outro ponto controverso: o reintegro de médicos que se recusaram a vacinar-se. O emendamento que prevê essa reintegração tem a sua assinatura e, segundo a deputada, restitui "dignidade" a profissionais considerados, na sua expressão, perseguidos politicamente. Em ambos os temas — protocolos terapêuticos e direitos dos profissionais de saúde — a deputada coloca a ênfase na necessidade de clareza e de reconstrução de confiança entre Estado e sociedade.

O relatório da dra. Amato, agora parte integrante do acervo da comissão, deverá ser peça-chave nas próximas audiências. A expectativa é que o Parlamento utilize essas provas técnicas como tijolos para erguer respostas institucionalmente sólidas: apurar quem definiu as diretrizes, com que base científica e quais foram as consequências práticas para a mortalidade e para a prestação de serviços de saúde durante a pandemia.

Seguirei acompanhando as próximas etapas desta investigação, com a atenção de sempre voltada para o impacto real das decisões de Roma no cotidiano das pessoas — a construção de direitos passa por aqui.