Cacciari: se Elly Schlein perder as primárias, o PD entra em colapso
Cacciari alerta: se Elly Schlein perder as primárias, o PD corre risco de colapso; prioridade é um programa claro em política externa e economia.
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Cacciari: se Elly Schlein perder as primárias, o PD entra em colapso
Por Giuseppe Borgo — Em uma análise direta ao ponto sobre o futuro do centro-esquerda italiano, o filósofo e analista político Massimo Cacciari lança um alerta claro: se Elly Schlein perder as primárias, o PD caminha para o desmoronamento. A observação chega no rastro da aprovação da nova lei eleitoral, que obriga as coalizões a indicarem um candidato a primeiro‑ministro — medida que, segundo Cacciari, pode ser vista como uma forma de clareza para o eleitorado.
Cacciari lembra que o campo amplo da centro‑esquerda ainda precisa construir consenso programático antes de decidir quem será o rosto da aliança nas urnas. "É preciso acertar o programa", diz ele, porque vencer a eleição e governar são desafios distintos: vencer pode ser "possível, especialmente com a incógnita Vannacci", mas governar exige coesão.
O risco, aponta o analista, é que a coalizão fique paralisada. "As coalizões são fragmentadas internamente e não têm uma linha política comum; isso as bloqueia." No centro‑direita, embora exista longevidade e uma líder que mantém a unidade do bloco, as reformas substantivas não avançaram — um quadro onde o peso da caneta não se traduziu em alicerces legislativos duradouros.
No cenário interno do PD, Cacciari é incisivo: se Elly Schlein for derrotada nas primárias, retornaria ao comando do partido a mesma classe política que, segundo ele, conduziu o partido à decadência. Por outro lado, caso ela vença, terá de enfrent ar a realidade do eleitorado do Movimento 5 Stelle, que tende a votar prioritariamente em candidatos do próprio movimento — uma barreira que pode minar acordos amplos pós‑eleitorais. Se, ainda, o vencedor fosse Giuseppe Conte, Cacciari prevê uma campanha com o principal partido da aliança em desordem.
Para sair desse impasse, o conselho do analista é prático e construtivo: o "campo largo" precisa partir de um programa corajoso e claro em pelo menos duas frentes — política externa e economia. Na política externa, reafirmar a tradição europeia e a posição pela paz; na economia, apresentar propostas objetivas. "Se forem capazes de traçar essas linhas com nitidez, então poderão procurar uma pessoa capaz de implementá‑las, evitando a loteria das primárias", argumenta.
Essa proposta traz à tona a necessidade de erguer uma ponte entre o discurso e a execução, reconstituindo os alicerces da confiança entre partidos e eleitores. Em suma: sem um programa que funcione como argamassa, as escolhas pessoais — mesmo em momentos de primárias acirradas — correm o risco de rasgar o tecido já frágil da coalizão.
Como repórter atento à intersecção entre as decisões de Roma e a vida dos cidadãos, relevo que a disputa interna no PD não é apenas uma questão de nomes: trata‑se da arquitetura do poder e da capacidade de traduzir promessas em políticas públicas. O tempo para construir essa unidade começa agora, antes que a campanha vire ruína por falta de projeto comum.

