Calderone na Câmara: queda nos acidentes mortais, mas meta é a “visão zero”
Calderone destaca queda nos acidentes mortais, mas reforça: meta é a visão zero. Dados INAIL mostram 1.093 mortes em 2025; 798 no local de trabalho.
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Calderone na Câmara: queda nos acidentes mortais, mas meta é a “visão zero”
Em discurso na Câmara dos Deputados, a ministra do Trabalho, Marina Calderone, mostrou-se cautelosamente otimista sobre a evolução dos índices de segurança, mas reiterou que o objetivo final permanece ambicioso: a visione zero de acidentes mortais no trabalho. A mensagem foi direta: há avanços, porém os alicerces da prevenção ainda exigem reforço.
Segundo dados citados pela ministra, com base em relatórios do Inail, desde dezembro de 2022 houve uma ampliação das pessoas submetidas a regimes de prevenção e segurança no emprego — mais de 1 milhão de trabalhadores a mais cobertos por medidas formais de proteção. Esse incremento, afirmou Calderone, contribui para uma regressão na incidência de acidentes mortali quando calculada por 100.000 empregados.
Os números consolidados para 2025, porém, mostram uma realidade ainda dolorosa: foram registrados 1.093 óbitos relacionados ao trabalho, praticamente estáveis em relação aos 1.090 de 2024. Do total de 2025, 798 mortes ocorreram diretamente nos locais de trabalho (queda frente às 805 de 2024), enquanto 295 foram classificadas como “in itinere” — mortes no trajeto entre casa e trabalho —, um aumento frente às 285 do ano anterior.
Calderone reconheceu o progresso, mas foi enfática ao dizer que “não é suficiente”. A ministra colocou como prioridade reduzir ainda mais os incidentes e reforçar medidas que possam apontar para a famosa visione zero — uma meta que exige união de políticas públicas, fiscalização efetiva e cultura de prevenção nas empresas e nas comunidades.
Como correspondente que acompanha a arquitetura das decisões públicas e seu impacto cotidiano, observo que a política pública é mais que sinais estatísticos: é uma obra em construção. Reduzir os números requer reforçar os alicerces — desde a formação de trabalhadores e a responsabilidade empresarial até a eficácia das inspeções e a qualidade das normas.
A chamada para a ação não é apenas técnica: passa por derrubar barreiras burocráticas que atrasam intervenções, por integrar dados e por dialogar com sindicatos, associações patronais e autoridades locais. A ministra sublinhou a necessidade de um compromisso conjunto para transformar a redução estatística em vidas salvas, lembrando que cada número representa uma família, um bairro e uma comunidade afetados.
Resta o desafio prático: transformar a intenção política em medidas tangíveis — fiscalização consistente, incentivos à prevenção, formação contínua e mecanismos de responsabilização. Só assim será possível construir uma ponte entre as decisões de Roma e a segurança sentida por quem encara diariamente o risco no caminho para o emprego.
Enquanto isso, os dados de 2025 servem como alerta e convite à ação imediata. A meta de visione zero não é um slogan de gabinete; é um horizonte que exige trabalho de base e disposição política para sustentar mudanças de longo prazo.