Calenda e Picierno articulam frente riformista: “Mesma agenda para a Itália”
Picierno e Calenda acenam para uma frente riformista: mesma agenda sobre Europa, reformas e crítica à destra e ao populismo do centrosinistra.
RESUMO ✦
Sem tempo? A Lili IA resume para você
Calenda e Picierno articulam frente riformista: “Mesma agenda para a Itália”
Por Giuseppe Borgo — Em Roma, a vice-presidente do Parlamento Europeu, Pina Picierno, assumiu um papel de ponte entre correntes riformistas ao afirmar que compartilha com Carlo Calenda a mesma linha política sobre temas-chave. Em discurso no evento Quo Vadis: Urbs 2026 - Le città del futuro, promovido por Feuromed - l'Altravoce com o apoio do Parlamento Europeu e o patrocínio do Orden dos Engenheiros de Roma, Picierno defendeu que a política precisa ser construída sobre conteúdo e não apenas sobre cartéis eleitorais contra adversários.
“Um fronte, um Polo que diz as mesmas coisas: me parece uma novidade absoluta para a política italiana”, disse Pina Picierno, traçando um paralelo claro entre a abordagem que ela e Calenda sustentam — com foco em Europa, riformismo econômico e crítica tanto à destra quanto ao populismo do centrosinistra liderado por Giuseppe Conte. Na visão dela, alicerces políticos devem nascer de uma visão comum de país e não de conveniências táticas.
Ao recusar a ideia de alianças reduzidas a “cartéis eleitorais contra alguém”, Picierno enfatizou a necessidade de um projeto com conteúdos partilhados. Nesse tabuleiro, indicou Calenda como figura central para a construção de um possível “frente europeísta e democrático”. A proposta, como explicou, deve priorizar consensos programáticos que servirão de sustentação — a verdadeira construção de direitos e alicerce da ação pública — e não a soma de siglas pelo simples cálculo eleitoral.
O encontro, que discute as cidades do futuro e a governança urbana, reuniu nomes do governo e gestores municipais que permitem observar como decisões de Roma repercutem no cotidiano das comunidades. Abriram os trabalhos Maria Elisabetta Alberti Casellati, ministra para as Riforme istituzionali, que contextualizou os desafios da governança urbana no sistema das autonomias; Gilberto Pichetto Fratin, ministro do Ambiente e da Sicurezza Energetica, com foco em smart mobility e sustentabilidade urbana; e Paolo Zangrillo, ministro da Pubblica Amministrazione, que tratou da eficiência da máquina administrativa para as cidades do futuro.
Na agenda de hoje, está prevista a participação de Eugenia Maria Roccella, ministra para a Família, a natalidade e as pari opportunità, abordando a conexão entre demografia, welfare e novas necessidades dos cidadãos, além de temas como saúde urbana e envelhecimento.
Além dos membros do Governo, o debate contou com prefeitos e ex-administradores locais na linha de frente da gestão territorial: o prefeito de Roma, Roberto Gualtieri; o prefeito de Nápoles e presidente da ANCI, Gaetano Manfredi; e representantes como Sara Funaro (Florença), Roberto Lagalla (Palermo), Enrico Trantino (Catania) e os eurodeputados Dario Nardella e Giorgio Gori. A pluralidade dos participantes reforça que a proposta riformista precisa transitar das estruturas partidárias para os alicerces concretos das políticas urbanas.
Como repórter político atento às conexões entre decisões de Roma e a vida cotidiana, vejo nesta convergência uma tentativa de erguer uma ponte — não apenas retórica — entre quem governa em nível nacional e quem administra a cidade onde o cidadão vive. Se há de se consolidar, esse projeto terá de derrubar barreiras burocráticas e construir mecanismos duráveis de cooperação: a arquitetura de um novo centro riformista exigirá conteúdo, vocação europeísta e a capacidade de traduzir programática em serviços tangíveis.
Picierno deixou claro que o teste será prático: alianças que nascem de visão comum e de propostas concretas, capazes de lidar com desafios como transição energética, mobilidade inteligente, serviços públicos eficientes e políticas demográficas, terão mais chance de resistir ao ciclo curto da tactica eleitoral. O peso da caneta, concluiu implicitamente, será julgado pelos resultados que entregue às cidades — os verdadeiros alicerces da vida coletiva.