Câmara aprova ‘Piano Casa’: 165 votos a favor e programa nacional para habitação social segue ao Senado

Câmara aprova Piano Casa com 165 votos; programa para recuperar habitação pública segue ao Senado com fundos e um comissário extraordinário.

Câmara aprova ‘Piano Casa’: 165 votos a favor e programa nacional para habitação social segue ao Senado

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Câmara aprova ‘Piano Casa’: 165 votos a favor e programa nacional para habitação social segue ao Senado

A Câmara dos Deputados aprovou hoje o Piano Casa com 165 votos a favor, 117 contrários e 5 abstenções. O texto segue agora para apreciação do Senado. O projeto cria um Programma straordinario voltado para o recupero e la manutenzione dell'edilizia residenziale pubblica e sociale, desenhando os novos alicerces da política de habitação que, segundo aliados do governo, pretende acelerar obras e liberar moradias em todo o país.

O cerne do pacote é o Programma straordinario para recuperar e manter o parque habitacional público e social: 970 milhões entre 2026 e 2030, com um teto total de 4,8 bilhões no período 2027‑2034. Os recursos virão majoritariamente da reprogramação de fundos já previstos, do Fondo sociale per il clima da União Europeia e de verbas destinadas à regeneração urbana. A execução ficará a cargo de entidades selecionadas por meio de avisos públicos, com coordenação técnica e operacional atribuída à Invitalia.

Para acelerar a aplicação do programa, o decreto prevê a nomeação de um Commissario straordinario, figura que terá poderes para coordenar intervenções, mapear imóveis passíveis de uso social e remover entraves burocráticos — o chamado peso da caneta que pode destravar obras, mas também concentrou críticas pelo caráter centralizador.

Entre as medidas secundárias, o texto institui um Fondo rotativo di garanzia para a morosità incolpevole e para o depósito caução na habitação pública, com 22 milhões previstos para 2026 e 2 milhões para 2027. Esse novo instrumento será financiado com a eliminação do fundo anterior para inquilinos em mora involuntária. Está também previsto o refinoanciamento do Fundo para alojamentos universitários com 8,5 milhões para 2026.

O decreto abre ainda a possibilidade de venda de imóveis do parque habitacional público e social, concedendo direito de opção aos beneficiários que estejam em dia com pagamentos e sem outra propriedade. Nasce, igualmente, o Fondo Housing Coesione com dotação inicial de 100 milhões em 2026, e são introduzidas simplificações em procedimentos de obras, regeneração urbana e mudança de uso, mantendo porém o vínculo de 30 anos à destinação habitativa social.

Do ponto de vista político, o pacote divide a Casa: para Fratelli d'Italia trata‑se de uma proposta “esperada há décadas”; para o Partito Democratico e para as Regiões de centro‑esquerda, é um decreto “sem recursos” que corre o risco de enfraquecer a edilizia residenziale pubblica e deixar os inquilinos desamparados. O líder do grupo de Forza Italia na Câmara, Enrico Costa, afirmou que “a casa é garantia de segurança e liberdade para cada família” e defendeu a medida como proteção aos poupanças dos italianos.

Do lado do governo, dirigentes destacam que o Piano Casa coloca as bases para a construção de 100 mil moradias em dez anos — uma meta ambiciosa cujo sucesso dependerá tanto da capacidade de execução quanto da disponibilidade efetiva de recursos. Observadores independentes apontam que a reformulação de fundos existentes e a dependência de recursos comunitários exigem um planejamento rigoroso para que a recuperação do patrimônio público não se transforme em mera transferência de propriedades sem garantir a manutenção e o direito à moradia.

O resultado na Câmara é uma peça importante na arquitetura legislativa da política habitacional: abriu uma via, mas resta à maioria provar que conseguirá transformar o papel em obras concretas. A proposta segue ao Senado, e será nesse trajeto que se desenhará se o plano será um instrumento de reconstrução dos alicerces da habitação social ou mais uma promissória sem cobertura orçamentária.