Caso Delmastro: documentos vão à Comissão Antimáfia enquanto Meloni mantém o subsecretário no cargo

Documentos do caso Delmastro chegam à Comissão Antimáfia; Meloni mantém subsecretário no cargo e oposição exige esclarecimentos antes do referendo.

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Caso Delmastro: documentos vão à Comissão Antimáfia enquanto Meloni mantém o subsecretário no cargo

Em mais uma página da construção dos direitos e da transparência institucional, a primeira-ministra Giorgia Meloni afirmou em Bruxelas que o subsecretário à Justiça Andrea Delmastro permanecerá em seu posto, apesar do caso aberto sobre sua participação anterior em uma sociedade que teve entre os sócios a jovem Miriam Caroccia. A declaração foi dada ao final do Conselho Europeu de 19 de março, quando jornalistas perguntaram sobre o futuro político do subsecretário, agora no centro de uma apuração que liga negócios humildes a um contexto familiar marcado por uma condenação definitiva.

Segundo Meloni, entrando no mérito, a acusação contra Delmastro refere-se ao fato de que ele teria adquirido cotas de um restaurante junto a outros sócios sem antecedentes criminais e, ao descobrir que o problema judicial dizia respeito não a um dos sócios, mas ao pai de uma deles, teria vendido tais cotas. "Pode-se dizer que o subsecretário talvez devesse ter sido mais cuidadoso, mas daí a apontar uma contiguidade entre o subsecretário — um homem que está sob escolta por seu trabalho contra a criminalidade organizada — e ambientes criminosos, francamente vai uma grande distância", declarou a chefe do Executivo.

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Os atos da investigação sobre os negócios do clã romano dos Senese, que foram associados à antiga sociedade do subsecretário, já teriam sido encaminhados à Comissão Antimáfia do Parlamento. Fontes parlamentares informam que, na próxima semana, os pedidos da oposição para ouvir o próprio subsecretário serão avaliados no escritório de presidência da comissão. A movimentação institucional transforma o caso em uma espécie de obra pública: as peças do processo são colocadas nos alicerces corretos para que o edifício da apuração seja erguido com transparência.

O nome de Delmastro aparece na composição societária da empresa Le 5 Forchette Srl, da qual também tiveram cotas outros dirigentes de Fratelli d'Italia no Piemonte, e que incluía entre os sócios a jovem Miriam Caroccia. A sociedade foi constituída em cartório em Biella e tinha unidade local na via Tuscolana, 452, onde funcionava o restaurante Bisteccheria d'Italia. O pai de Miriam, Mauro Caroccia, está preso em Viterbo cumprindo uma sentença definitiva de quatro anos por intestazione fittizia de bens ligada ao clã camorrista de Michele Senese, conhecido como 'O pazzo'.

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Em sua defesa, o subsecretário ressaltou seu histórico na luta contra a máfia: "Minha história antimáfia é clara e evidente. Meu nível 2 de escolta não nasce por outros motivos senão a batalha contra a máfia que estamos travando". Delmastro acrescentou que a sociedade em questão envolvia "uma garota não imputada e não investigada" e que, ao descobrir a ligação familiar, saiu imediatamente da empresa por um critério de rigor ético e moral que, segundo ele, o distingue nesta luta. "Portanto, não há nada a dizer", declarou, durante as comemorações dos 209 anos do Corpo de Polícia Penitenciária em Nápoles.

Do lado da oposição, a reação foi de cobrança. Parlamentares de partidos contrários a Fratelli d'Italia acusam o governo de demora: afirmam que a premier teria conhecimento da questão há um mês e exigem posicionamentos mais claros e rápidos. A secretária do Partido Democrático, Elly Schlein, pediu que Meloni assuma uma posição definida — e o faça antes do plebiscito que se aproxima. Também há manifestações de líderes de outros partidos que exigem que a investigação parlamentar siga com celeridade, para que a ponte entre política e cidadania não fique em risco por dúvidas não esclarecidas.

O caso, agora nas mãos da Comissão Antimáfia, exigirá da instituição o mesmo rigor de uma fundação bem construída: a transparência e a velocidade de resposta serão os alicerces que dirão se o episódio ficará restrito a uma falha de cautela ou se apontará falhas mais profundas na arquitetura política que liga cargos públicos a relações privadas. Enquanto isso, a decisão de manter o subsecretário no cargo reforça o peso da caneta do Executivo e adia, por ora, o veredito político.

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