Consob em impasse: guerra de nomes e o adiamento do governo sobre a presidência

Cdm adia nomeação da presidência da Consob; tensão entre indicação política e preferência por técnico na maioria.

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Consob em impasse: guerra de nomes e o adiamento do governo sobre a presidência

Por Giuseppe Borgo, Espresso Italia. Em um cenário que mistura cálculo político e preocupação técnica, o Consob virou objeto de disputa interna na coalizão de governo. Na reunião do Consiglio dei Ministri (Cdm) na tarde de terça-feira foi decidido o adiamento da escolha sobre a renovação do vertice da Consob, cujo mandato expira no início de março. A decisão de adiar evidencia fissuras na maioria e o cuidado com a imagem das nomeações administrativas.

O nome que vinha sendo mais citado para a presidência é o do sottosegretario all'Economia Federico Freni, esponente da Lega. Freni aparece como candidato forte por sua experiência recente na máquina do Estado e pelo perfil político. No entanto, o consenso interno não se concretizou: membros da coalizão manifestaram reservas sobre colocar um político à frente de um órgão de vigilância do mercado financeiro.

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Fontes internas revelam que Forza Italia deu sinal verde à presença de Federico Freni dentro da Consob, mas preferem que ele ocupe um cargo de componente do organismo, e não a presidência. Os azzurri defenderiam, para a liderança da autarquia, a indicação de um técnico — alguém reconhecido pela competência técnica e independência política.

Nos bastidores também se comenta a memória política: não falta quem lembre que o próprio Forza Italia indicou no passado um nome político para a liderança da Consob, Giuseppe Vegas. Ainda assim, os forzisti afirmaram desde a manhã que, para suceder Paolo Savona, é necessária uma figura diferente, mais técnica.

Raffaele Nevi, porta-voz de Forza Italia, resumiu a posição do partido: “Não nos convence a designação de um político para a Consob. Tratam-se de funções muito técnicas; preferimos um não político de alto nível com grande experiência.” Nevi acrescentou que o partido não faz nomes, mas há várias personalidades qualificadas aptas ao cargo.

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Do outro lado, Fratelli d'Italia também ponderou. Marco Osnato, responsável econômico do partido, disse reconhecer em Freni todas as características para o cargo, mas lembrou que ele é “uma pedina importante no xadrez do Mef” — uma imagem que reforça a ideia de que a movimentação política deve preservar também o funcionamento ministerial.

Além de Freni, outros nomes circulam. Foram cogitados a professora de Economia de mercados financeiros da Universidade Milano-Bicocca, Marina Brogi, e o analista e já comissário da Consob desde 8 de junho de 2023, Federico Cornelli, formado pela Bocconi.

O líder de Noi Moderati, Maurizio Lupi, ofereceu visão diversa: defendeu que a atividade política ou o desempenho em cargos institucionais não deveriam ser impedimentos automáticos para assumir a presidência da Consob. “Evitemos vetos pré-concebidos. Nem sempre os técnicos são melhores”, afirmou.

O atual presidente, Paolo Savona, assumiu a Consob após atuar como ministro para os assuntos europeus no primeiro governo de Giuseppe Conte, uma passagem que ilustra bem como o peso da caneta e da nomeação pode moldar os alicerces das instituições regulatórias.

O adiamento pelo Cdm deixa o processo aberto: a renovação do vertice da Consob deve ser tratada como uma peça de construção institucional, em que é preciso equilibrar competência técnica, independência e representação política. Nos próximos dias, a maioria terá de consolidar uma solução capaz de derrubar as barreiras burocráticas e garantir estabilidade à autoridade que vigia os mercados.

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