Conte exige data de audiência na Comissão Covid e desafia Lisei após ataques de FdI
Conte pede data para audiência na Comissão Covid e acusa FdI de ataques; pressão sobre Lisei cresce enquanto disputa política se reacende.
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Conte exige data de audiência na Comissão Covid e desafia Lisei após ataques de FdI
Giuseppe Conte, ex-primeiro‑ministro e líder do Movimento 5 Stelle, formalizou por escrito o pedido para ser ouvido pela Comissão de Inquérito sobre a Covid. Em uma carta endereçada ao presidente da comissão, Marco Lisei, Conte cobra a definição imediata da data da sua audiência e denuncia uma sequência de ataques que, segundo ele, visam deslegitimar suas decisões durante a pandemia.
O documento, recebido pelos presidentes das duas câmaras, retoma um quadro já conhecido: desde 2024 as forças da oposição insistem para que Conte preste depoimento sobre as medidas adotadas no período do surto — do uso da vacina ao confinamento nacional. Agora, segundo o ex‑premier, a resposta prática ainda não veio.
Na carta, Conte afirma que "há dois anos venho pedindo para ser ouvido" e que, em comum acordo com os presidentes das câmaras, ficou estabelecido que ele se demitiria da comissão assim que a data da sua audiência fosse marcada. "Solicito, portanto, que me informem a data da minha audiência, visto que, até o momento, não recebi nenhum retorno dos Uffici di Presidenza", escreveu ele, sublinhando ainda que o objetivo é "spazzare via le false e menzognere accuse" — afastar acusações que considera falsas.
Conte também critica o tratamento dispensado a outros convidados: cita que a convocação do ex‑administrador Domenico Arcuri ocorreu de maneira célere, enquanto ele continua sem resposta. "Com Bignami concordaram a audiência imediatamente. Estamos diante de uma pantomima: fazem perguntas entre si e dão as respostas entre si", descreveu o líder do M5S, aludindo ao que chama de procedimento partidário da maioria.
O ex‑primeiro‑ministro não omitirá que considera a comissão orientada por interesses políticos. Ele lembra que a magistratura investigou os atos ligados à gestão da pandemia por anos e que nunca foi formalmente implicado nas investigações: "A magistratura me investigou e não fui sequer atingido por essas vicissitudes, mas eles montaram este 'circo' para alimentar uma campanha de difamação com jornais e programas afins".
Em tom firme, Conte exige transparência nas "modalità" de sua "libera audizione" e reafirma que, imediatamente antes de se apresentar, entregará sua renúncia ao cargo de membro da comissão, conforme havia indicado aos presidentes das câmaras. A mensagem é clara: está pronto para o confronto público, mas não aceitará processos midiáticos que, acredita, visam apenas desgastar sua imagem.
Do lado da Fratelli d'Italia (FdI), responsáveis pela presidência da comissão, a reação foi rápida e dura. Fontes de FdI afirmaram que pretendem "smontare le sue falsità" — desmontar as acusações de Conte — e exigiram um pedido de desculpas pelas palavras lançadas por ele contra membros do partido e pela narrativa que, dizem, tenta desviar o foco das responsabilidades políticas durante a emergência sanitária.
O embate reacende um tema que atravessa a vida pública italiana: até que ponto as comissões parlamentares devem servir à construção de esclarecimento público sobre políticas de saúde, e quando se transformam em palcos de luta partidária. Em linguagem de obra pública, a tensão atual coloca em jogo os alicerces da confiança institucional: a Comissão promete erguer provas e versões, mas, para muitos, ainda falta o cimento da imparcialidade.
Enquanto isso, Conte insiste na data. A bola volta ao campo de Lisei e da maioria: marcar a audiência é dar instrução prática ao processo; protelá‑la, advertem críticos, é alimentar a erosão da confiança cívica num momento em que a memória coletiva da pandemia ainda pede respostas.