Conte agita o debate sobre a Ucrânia e o centro-direita corre para encerrar o caso Delmastro antes das férias
Conte provoca o PD sobre a Ucrânia; centro-direita acelera para encerrar o caso Delmastro antes da pausa de verão. Análise das consequências políticas.
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Conte agita o debate sobre a Ucrânia e o centro-direita corre para encerrar o caso Delmastro antes das férias
Por Giuseppe Borgo — A tensão interna na política italiana voltou a ganhar temperatura com as declarações de Giuseppe Conte sobre a postura do seu campo em relação à Ucrânia. O líder do Movimento 5 Stelle propôs levar a questão às primárias: “Resolveremos com primárias, faremos os italianos decidirem”, disse, reafirmando que o movimento se opõe a votar um apoio militar direto a Kiev, enquanto não descarta ajudas e sanções econômicas.
Conte justificou a posição levantando preocupações sobre o destino de equipamentos bélicos: “Aziendas militares super equipadas, componentes de direita extrema e um mercado já ativo: pergunta-se para onde vão essas armas”. A declaração reacendeu um debate que atravessa partidos e sensibilidades.
Do lado progressista, a reação foi imediata e firme. A área reformista do PD contestou a ambiência proposta. Para a senadora Simona Malpezzi, “estar com a Ucrânia significa defender a Europa. A paz passa pelo restabelecimento do direito internacional violado pelo agressor Putin. Quem se propõe a liderar o centro-esquerda só pode escolher um lado”. O deputado Piero Fassino foi mais incisivo ao questionar Conte sobre a viabilidade de qualquer acordo que reconheça a anexação do Donbass: “Seria aceitável impor aos ucranianos a mutilação do seu próprio país, premiando o agressor e punindo a vítima?”.
Também Azione interveio com veemência. Ettore Rosato, vice-secretário de Carlo Calenda, ironizou: “Conte está confortável com posições semelhantes às de Vannacci; o PD deve ter coragem de reconhecer isso e retomar as posições socialistas europeias com coerência”.
Enquanto o debate sobre política externa esquenta, o centro-direita busca encerrar pendências internas antes da pausa de verão. No topo da agenda está o chamado caso Delmastro. A sequência de procedimentos parlamentares prevê, na segunda-feira, reunião da Giunta per il regolamento para avaliar se serão exibidas as conversas entre o ex-subsecretário à Justiça e o empresário Mauro Caroccia. Na terça, outra sessão da Giunta deve reafirmar, por votação, que nada mudou apesar da carta enviada pelo procurador de Roma, Francesco Lo Voi. Na quarta-feira, pode acontecer o voto em plenário da Câmara — embora o calendário esteja apertado — quando o centro-direita deverá opor-se ao uso das conversas.
O parlamento terá ainda outras frentes. Na quarta, o ministro da Economia Giancarlo Giorgetti fará comunicações sobre a cláusula nacional de salvaguarda para investimentos em energia e defesa, tema sensível mesmo dentro da coalizão: a Lega manifesta reservas quanto ao aumento de despesas militares e ao uso de instrumentos como a SACE. Na terça, o Conselho de Ministros (CdM) e a discussão sobre a lei eleitoral também prometem faíscas; o vice-premier Antonio Tajani reiterou o apoio às preferências com capilistas bloqueados, enquanto a coalizão prepara emenda sobre a matéria.
Estamos, portanto, diante de dois eixos que moldam a agenda política: a construção de uma posição externa coerente sobre a Ucrânia e a tentativa de selar acordos internos antes do recesso. Em termos práticos, é a arquitetura do poder que busca acomodar sensibilidades distintas — uma ponte em construção entre a disciplina de coalizão e as pressões da opinião pública. Como correspondente, sigo atento ao peso da caneta nas decisões que definem alicerces de direitos e responsabilidades para os cidadãos.