Senado aprova DDL contra o antissemitismo com 105 votos: o que muda e por que segue à Câmara

Senado aprova DDL sobre antissemitismo com 105 votos; texto adota definição IHRA, institui coordenador nacional e segue para a Câmara.

Senado aprova DDL contra o antissemitismo com 105 votos: o que muda e por que segue à Câmara

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Senado aprova DDL contra o antissemitismo com 105 votos: o que muda e por que segue à Câmara

O plenário do Senado italiano deu hoje o primeiro aval ao ddl sobre antissemitismo, com 105 votos a favor, 24 contra e 21 abstenções. O texto, segundo o presidente do grupo da Lega Massimiliano Romeo, seguirá agora para a Câmara dos Deputados para a segunda votação. A sessão expôs as fraturas políticas sobre a definição adotada e os alicerces normativos que o projeto pretende criar.

O ponto central do debate foi a adoção, no texto aprovado, da definição operacional de antissemitismo proposta pela IHRA (International Holocaust Remembrance Alliance). Partidos como o PD, o M5S e o grupo identificado como Avs tentaram substituir essa referência pela chamada definição de Jerusalém, mas os emendamentos nesse sentido foram rejeitados pelo plenário. A reprovação das alterações levou senadores do M5S e do Avs a votar contra o texto final; os democratas (PD) se abstiveram em bloco, com exceções notáveis.

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Entre os senadores do PD que votaram favoravelmente ao texto estiveram Valter Verini, Sandra Zampa, Pierferdinando Casini, Graziano Del Rio, Alfredo Bazoli e Filippo Sensi. O voto positivo também recebeu apoio de membros de Italia Viva e de Azione. "Acreditamos que este provvedimento rompa um silêncio e uma timidez da cultura democratica do nosso país que não discutiu suficientemente este problema", afirmou Graziano Delrio, sublinhando a necessidade de construir uma resposta coletiva.

Do ponto de vista jurídico, o projeto nasce da combinação de três propostas de lei e pretende criar um quadro normativo de referência para a luta contra o antissemitismo. Não há, no texto aprovado, a introdução de novas sanções penais: trata-se de uma regulamentação que busca definir conceitos, indicadores e mecanismos institucionais, sem aumentar a gradação criminal.

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Foi também retirado do texto um artigo que previam a possibilidade de proibir manifestações, medida que poderia gerar ambiguidades com a liberdade de crítica política e de expressão. A decisão foi justificada como forma de preservar os direitos civis básicos diante do necessário combate ao ódio.

Uma mudança institucional importante é a institucionalização de um coordenador nacional para a luta contra o antissemitismo, cuja missão será articular uma estratégia nos principais âmbitos públicos — educação, segurança, cultura e serviços sociais — e atuar como um ponto de ligação entre o Estado e as comunidades afetadas. Essa figura deverá ajudar a transformar a ação política em uma ponte prática entre instituições e cidadania, derrubando barreiras burocráticas que hoje impedem respostas coordenadas.

O Senado rejeitou dois emendamentos assinados por PD, M5S e Avs que pediam a retirada do artigo 1º do projeto, no qual consta a remissão à definição da IHRA e aos "indicadores" necessários para a aplicação da lei. A derrota desses emendamentos consolida a opção pelo instrumento internacional escolhido, mas deixa em aberto o debate na Câmara sobre ajustes terminológicos e operacionais.

Em resumo, o texto aprovado estabelece os alicerces legais e institucionais para enfrentar o antissemitismo sem recorrer ao aumento de penas criminais e preservando liberdades civis; agora, com o peso da caneta transferido para a Câmara, a verdadeira arquitetura final da norma será construída no próximo capítulo parlamentar.

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