Defesa não é um custo, é responsabilidade do Estado: Crosetto e o desafio de armar uma defesa credível
Crosetto afirma que a defesa é responsabilidade do Estado, defende investimento nas Forças Armadas e propõe serviço nacional moderno para jovens.
RESUMO ✦
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Defesa não é um custo, é responsabilidade do Estado: Crosetto e o desafio de armar uma defesa credível
Guido Crosetto reagiu com firmeza às rumores de demissão publicadas por jornais após um comentário em rede social sobre a saída do ministro britânico. Sua resposta merece mais do que cobertura de gabinete: contém uma visão sobre o papel institucional da Defesa que convém discutir em profundidade.
«Não ameaçaria jamais a demissão. Se eu percebesse que é necessária, eu a apresentaria e pronto. Mas somente depois de ter lutado até o fim pelas causas que acredito serem justas». Com esta declaração, o ministro deixou claro que entende a função ministerial para além das contingências políticas: considerar a segurança nacional não como uma rubrica residual do orçamento, mas como um pilar essencial do Estado.
Uma nação moderna não pode exigir que suas Forças Armadas protejam o território, salvaguardem interesses estratégicos, participem de missões internacionais e contribuam para a segurança europeia e atlântica, se ao mesmo tempo nega-lhes os meios necessários. O cerne da questão ultrapassa a pessoa e o governo: é a coerência entre os compromissos que a Itália assume e a disposição política de financiá-los adequadamente.
Se o Parlamento e os aliados pedem responsabilidades crescentes, é natural que o ministro da Defesa reivindique investimentos proporcionais. Defender recursos não é promover uma cultura da guerra; é fortalecer a cultura da deterrência. A paz sustentável assenta-se também na credibilidade: um Estado que pode cumprir o que promete aos parceiros e dissuadir ameaças imediatas.
Do ponto de vista cívico, a discussão deve ser ampliada. A suspensão do serviço militar obrigatório mudou profundamente a sociedade italiana. Em face de um cenário internacional volátil, o debate sobre um moderno serviço nacional volta à tona. A proposta que vem sendo defendida prevê um período de dez a doze meses, aberto a homens e mulheres, com possibilidade de prestação nas Forças Armadas ou em atividades civis — serviços sociais, proteção civil, apoio a emergências e tarefas de utilidade pública.
Não se trata de ressuscitar modelos do passado, mas de construir uma nova forma de educação cívica e participação, capaz de reforçar os alicerces da comunidade. Nesse quadro, a reintrodução de figuras como os carabinieri auxiliares — extintos em 1º de janeiro de 2005 após a entrada em vigor da lei 23 de agosto de 2004, n. 226 — poderia ser avaliada com critérios contemporâneos.
Como correspondente que observa a interseção entre decisões de Roma e a vida cotidiana dos cidadãos, observo que a discussão sobre Defesa é, também, uma discussão sobre a construção de direitos e sobre a arquitetura da convivência civil. O peso da caneta ministerial define alicerces materiais e simbólicos: equipamentos, treinamentos e compromissos internacionais, mas também a confiança pública nas instituições.
Por fim, é preciso lembrar que o debate não deve ficar confinado às salas do poder. Um projeto que envolva o serviço nacional e a modernização das Forças Armadas exige um diálogo com as comunidades locais, com as associações de vítimas, com os jovens e com as organizações de proteção civil. Derrubar barreiras burocráticas e criar pontes entre nações são obras de longo prazo: exigem previsão orçamentária e vontade política persistente.
Em resumo, a posição de Guido Crosetto reacende um tema serio: a Defesa não é um mero custo, mas uma responsabilidade do Estado. A tarefa do ministro é garantir Forças Armadas credíveis — e isso passa por decisões que tocam os alicerces da lei, a arquitetura do voto e a construção da cidadania.