Delmastro atualiza declaração patrimonial: entrada e cessão em 'Le 5 Forchette' e controle da G&G
Delmastro atualiza declaração: participação em 'Le 5 Forchette', controle da G&G e cessões em meio a pressão política e condenação judicial.
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Delmastro atualiza declaração patrimonial: entrada e cessão em 'Le 5 Forchette' e controle da G&G
Por Giuseppe Borgo – O deputado do FdI e ex sottosegretario alla Giustizia, Andrea Delmastro, atualizou o seu estado patrimonial na declaração de rendimentos publicada no site da Câmara. A movimentação detalhada na prestação de contas, datada e visível on-line, aponta alterações societárias que merecem atenção pela sequência e pelo timing político.
Segundo a nova declaração, em dezembro de 2024 Delmastro passou a deter a participação de 25% nas cotas da sociedade srl Le 5 Forchette. Em 3 de novembro de 2025, consta que ele figura como sócio em 100% da empresa G&G srl. No final de novembro de 2025, o deputado registrou a "cessão total" da sua participação na Le 5 Forchette em favor da G&G. Posteriormente, em fevereiro de 2026, a própria G&G teria transferido todas as cotas da Le 5 Forchette.
O documento com a atualização mais recente do estado patrimonial foi assinado em 28 de março. A cronologia dessas operações — ingresso parcial, consolidação de controle em outro veículo societário e depois sucessivas cessões — desenha uma cadeia de propriedade que exige transparência para evitar dúvidas sobre conflitos de interesse e a correta comunicação às instituições públicas.
O episódio ocorre em contexto político tenso: em 24 de março a primeira-ministra Giorgia Meloni solicitou as demissões de Bartolozzi, Delmastro e Santanché, elevando a pressão sobre titulares de cargos do governo e sobre as relações entre decisões públicas e interesses privados.
Ao histórico patrimonial soma-se ainda o quadro judicial de Delmastro. Em fevereiro de 2025, os juízes da 8ª seção do Tribunal de Roma condenaram o então sottosegretario à Justiça a oito meses de reclusão pelo crime de revelação de segredo de ofício, no âmbito do caso do anarquista Alfredo Cospito. A acusação resultou numa sentença que aplicou as atenuantes genéricas, suspensão da pena e a interdição de um ano dos públicos ofícios. A Procuradoria havia pedido a absolvição. O parlamentar, defendido pelo advogado Giuseppe Valentino e presente em audiência, declarou: "Non mi dimetto, spero ci sia un giudice a Berlino".
Os pedidos de indenização formulados por quatro parlamentares do PD foram rejeitados. Ainda assim, a conjugação entre movimentações societárias e o pano de fundo judicial faz com que a sociedade civil e os eleitores peçam clareza: a arquitetura da vida pública exige que o peso da caneta — e das assinaturas — seja acompanhado por registros transparentes, para que não se erga uma ponte opaca entre interesses privados e decisões públicas.
Como repórter que atua como ponte entre Roma e a cidadania, ressalto que a sequência de fatos precisa ser acompanhada por explicações oficiais e documentação que permitam reconstruir as operações: datas, contratos de cessão e eventual remuneração. Só assim se preservam os alicerces da lei e a confiança pública.