Demissão de Andrea Delmastro abre crise no Ministério da Justiça; chefe de gabinete Bartolozzi também deixa cargo

Delmastro se demite após ligação a empresa 'Le 5 Forchette'; chefe de gabinete Bartolozzi também deixa cargo, abrindo crise no Ministério da Justiça.

Demissão de Andrea Delmastro abre crise no Ministério da Justiça; chefe de gabinete Bartolozzi também deixa cargo

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Demissão de Andrea Delmastro abre crise no Ministério da Justiça; chefe de gabinete Bartolozzi também deixa cargo

O subsecretário à Justiça Andrea Delmastro apresentou hoje suas demissões irrevogáveis após um encontro com o ministro Nordio. Em nota, Delmastro afirmou que, embora não tenha cometido ato ilegal, reconheceu ter cometido uma "leviandade" e assumiu a responsabilidade "no interesse da Nação" e por respeito ao governo e ao Presidente do Conselho.

Na esteira dessa decisão, também renunciou a chefe de gabinete do ministro, Giusi Bartolozzi. As saídas são as primeiras consequências políticas da derrota do governo no referendo sobre a justiça e desencadeiam uma crise interna no Ministério, alojado em via Arenula.

As oposições reagiram rapidamente: exigiram demissões imediatas e reforçaram a pressão no Parlamento com uma moção de censura e pedido de calendarização para votação na Câmara. Em nota, o líder do grupo do Partido Democrático afirmou que, caso a ministra do Turismo não renuncie, apresentará também uma moção de desconfiança formal.

Do Palazzo Chigi veio uma declaração de apreço pela escolha de Delmastro e Bartolozzi: a primeira-ministra Giorgia Meloni agradeceu o trabalho "com dedicação" e manifestou a esperança de que, com a mesma sensibilidade institucional, a ministra do Turismo, Daniela Santanchè, adote atitude semelhante.

A pressão sobre Santanchè decorre de um processo em Milão por suposto falso em demonstrações financeiras envolvendo sua empresa Visibilia, além de uma investigação por possível bancarrota. Apesar das cobranças internas na coalizão para que ela dê um passo atrás, a ministra manteve sua agenda de trabalho e ainda não comunicou uma decisão sobre renunciar.

O caso explodiu após uma investigação do jornal Il Fatto Quotidiano que revelou a participação do subsecretário numa sociedade chamada "Le 5 Forchette", na qual figurava também a filha de Mauro Caroccia — apontado como testa de ferro do chefe mafioso romano Michele Senese. A empresa, registrada em Biella em 16 de dezembro de 2024, tinha a seguinte divisão de quotas: Delmastro (25%), a vice-governadora do Piemonte Elena Chiorino (5%), o secretário provincial de Fratelli d'Italia em Biella Cristiano Franceschini (5%), o conselheiro regional Davide Eugenio Zappalà (5%), a funcionária Donatella Pelle (10%) e Miriam Caroccia com 50% das quotas, tendo sido nomeada administradora única aos 18 anos.

O episódio representa mais do que a queda de dois cargos: evidencia as fragilidades na arquitetura partidária que liga decisões públicas a interesses privados e reabre o debate sobre os alicerces da ética no serviço público. Em linguagem prática, trata-se de uma ponte que ruiu entre a confiança pública e a gestão ministerial — com impacto imediato na capacidade do Ministério de conduzir reformas e garantir estabilidade institucional.

Enquanto o tabuleiro político se rearranja, o Partido Democrático prepara uma moção de censura e o governo avalia repercussões internas. O clima é de incerteza: a caneta, neste momento, pesa mais que antes nas mãos dos responsáveis por restaurar a credibilidade do Ministério.

As próximas horas serão decisivas: a resposta de Daniela Santanchè e os movimentos no Parlamento definirão se as demissões pontuais evoluem para uma crise ministerial mais ampla. A população espera que a construção de direitos e a proteção das instituições não sejam comprometidas pela gestão de interesses particulares.