Elly Schlein no Gay Pride de Milão: “A omotransfobia continua a matar, a política precisa agir”

Schlein no Gay Pride de Milão: omotransfobia mata, é preciso leis e educação à afetividade para proteger pessoas LGBTQ+.

Elly Schlein no Gay Pride de Milão: “A omotransfobia continua a matar, a política precisa agir”

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Elly Schlein no Gay Pride de Milão: “A omotransfobia continua a matar, a política precisa agir”

Por Giuseppe Borgo – No calor do Gay Pride de Milão, onde centenas marcharam apesar do calor intenso, Elly Schlein fez uma aparição surpresa e deixou um recado duro: a omotransfobia ainda mata e a política tem a responsabilidade de responder. A líder do Partido Democrático falou com repórteres à margem do evento, ligando a manifestação justamente ao caso que chocou o país — o assassinato em Camaiore de Mirko Moriconi, pessoa que havia adotado o nome de Michelangelo Andreoni, morto a tiros pelo próprio pai, que também tirou a vida da mãe.

“Infelizmente, aquele pai matou Mirko Moriconi… a omotransfobia infelizmente mata”, disse Schlein. Para ela, o crime é um sinal de alerta: diante de uma tragédia assim, “deve refletir toda a sociedade e toda a política”. Em seu diagnóstico, a presença no Pride responde diretamente a essa necessidade — mudar a cultura que ainda legitima o ódio e a discriminação contra pessoas LGBTQ+, condição que termina por gerar violência em diferentes formas, física e emocional.

A secretária do PD lembrou que propostas legislativas pensadas para combater esses fenômenos foram rejeitadas em Roma: o projeto conhecido como ddl Zanche acabou derrotado no Parlamento. Schlein criticou também iniciativas atuais do Executivo: “Com a maioria que temos, me parece difícil — muito difícil — avançar; na verdade estamos regredindo, como mostra o avanço do pessimista ddl Valditara”, afirmou. Segundo ela, tal texto vai na contramão do que o país precisa ao restringir fortemente a prevenção do bullying e até proibir, nos primeiros anos escolares, a educação à afetividade.

Schlein defendeu que a melhor forma de prevenir a violência é justamente investir na educação às diferenças e na afetividade, tornando esses conteúdos obrigatórios em todos os ciclos escolares. “Alguém se surpreende se queremos prevenir formas de violência e estereótipos discriminatórios aprovando a educação às diferenças?”, perguntou.

O tom foi também estratégico: a secretária do PD colocou a defesa dos direitos LGBTQ+ na pauta de uma “construção de direitos” que aproximaria o país dos alicerces europeus. “O nosso país foi um dos mais retrógrados no reconhecimento desses direitos. Caímos para a 36ª posição entre 49 países europeus”, recordou. Para ela, o objetivo é “trazer a Itália para a Europa”, em linha com aqueles Estados que já têm leis contra o ódio, casamento igualitário e proteção às filhas e aos filhos de famílias homoparentais.

Schlein afirmou que continuará a travar essa batalha também coordenando ações com associações civis e forças da aliança progressista, onde existe convergência sobre o tema. Em tom de observador atento ao peso das decisões políticas, concluiu: é preciso derrubar barreiras burocráticas e culturais para erguer uma ponte de proteção que torne a sociedade mais segura para todas as pessoas, sem marginalizar nem discriminar ninguém.

Como repórter, observo que a declaração de Elly Schlein resume um ponto central: a arquitetura do voto e das leis tem impacto direto na vida cotidiana. Nenhuma mudança real se sustenta sem políticas públicas que atuem desde a escola até a aplicação efetiva das penas contra crimes de ódio. A discussão segue, com o ritmo tenso da política nacional, enquanto as famílias e as comunidades buscam respostas e proteção.