Como a Fantapolitica está derrubando barreiras para levar quem fica fora às instituições
Fantapolitica amplia ação para levar comunidades marginalizadas às instituições e fortalecer a capacidade institucional local.
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Como a Fantapolitica está derrubando barreiras para levar quem fica fora às instituições
Cinco anos após sua criação, a Fantapolitica reposicionou sua missão. O projeto que nasceu para apoiar jovens progressistas a chegar às câmaras municipais evoluiu para um laboratório de ampliação da representação política, atuando onde a arquitetura do poder costuma erguer muros: escolas, redes sociais, meios formais de mobilização e corredores partidários.
“Quando nasceu a organização, nosso objetivo principal era apoiar pessoas under 30 progressistas a entrar nas instituições locais”, relata Cristiana Cerri Gambarelli, uma das fundadoras da Fantapolitica. Mas o diagnóstico feito nos primeiros anos mostrou um padrão persistente: as candidaturas bem-sucedidas frequentemente reproduziam um mesmo perfil — escolaridade universitária, redes consolidadas, disponibilidade econômica e capital social. Os que vinham de comunidades marginalizadas, do Sul ou de contextos migratórios ficavam fora muito antes do dia da votação.
Foi essa constatação que levou a organização a dar um passo atrás e a redesenhar sua intervenção. Além de continuar a acompanhar candidaturas jovens, a Fantapolitica passou a desenvolver programas voltados para movimentos, associações e coletivos que historicamente estão ausentes das praças de decisão. A meta deixou de ser apenas colocar indivíduos nas listas: tornou-se construir capacidade institucional dentro de organizações territoriais, para que possam influenciar políticas públicas e, quando preciso, apresentar representantes próprios.
Os números mostram uma trajetória concreta. Desde 2021 a organização apoiou mais de 60 candidaturas a conselhos comunais italianos; hoje 36 pessoas eleitas ocupam cadeiras em conselhos municipais. Somente nas eleições municipais de 2026, a Fantapolitica acompanhou 27 candidaturas, com oito eleitos já no primeiro turno — sete dessas eleitas são mulheres — e cinco aguardando os desfechos dos ballottaggi.
Para Hajar Drissi, ativista que integra a organização, o problema da representação tem impacto direto na capacidade das pessoas de imaginar um futuro. “Por grande parte da minha vida não vi pessoas com histórico migratório nos lugares onde se tomam decisões. Quando você não vê alguém como você nesses espaços, deixa de imaginar que esse futuro pode ser seu. A falta de representação retira a possibilidade de sonhar”, afirma.
O trabalho da Fantapolitica combina formação política prática, construção de redes e assessoria estratégica para campanhas, mas também intervenção em nível organizacional — um esforço para reforçar os alicerces da democracia local. Esse movimento tem por objetivo não apenas aumentar a presença de indivíduos sub-representados nas listas, mas modificar a própria infraestrutura que decide quem tem acesso aos postos de decisão.
Como repórter atento ao peso da caneta e ao impacto de cada norma na vida real, considero este redesenho um exemplo de como a construção de direitos passa por eliminar barreiras burocráticas e sociais. A ponte entre a sociedade civil e as instituições não se constrói apenas com boas intenções: precisa de projeto, recursos e persistência. A Fantapolitica, nos seus cinco anos, tem buscado exatamente isso: transformar a energia de movimentos e coletivos em influência efetiva dentro dos conselhos municipais — onde as decisões tocam o cotidiano das pessoas.
Seja acompanhando candidaturas jovens, seja formando coletivos comunitários, a organização opera como um canteiro de obras cívicas, onde se moldam competências e se firmam alianças para que a democracia local reflita melhor a diversidade de quem nela vive.