Em Pontida, funerais de Umberto Bossi reacendem slogans da primeira Lega: “Roma ladrona” volta a ecoar
Funerais de Umberto Bossi em Pontida reúnem líderes, cânticos históricos e renovam o slogan "Roma ladrona" entre militantes da Lega.
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Em Pontida, funerais de Umberto Bossi reacendem slogans da primeira Lega: “Roma ladrona” volta a ecoar
Centenas de militantes da Lega se reuniram no mosteiro de San Giacomo, em Pontida, para acompanhar os funerais de Umberto Bossi. Ao lado da abadia, foi instalado um maxi telão para que os presentes pudessem seguir a cerimônia, e um grande pano verde com a inscrição "Grazie Capo... La tua storia vivrà sempre con noi" foi hasteado nas imediações, testemunho visual de que a figura do fundador permanece como referência.
Antes do início do rito fúnebre, os presentes entoaram cânticos e gritos que remetem à primeira fase do movimento: "Bossi Bossi", "Padania libera", "Libertà libertà" e o histórico "Roma ladrona, il nord non perdona". Junto ao sagrado, voltou a ecoar a linguagem de rua da mobilização política — uma lembrança de como a construção do partido nasceu também nas praças e nos slogans.

Entre os primeiros dirigentes a chegar estavam o ministro da Economia, Giancarlo Giorgetti, e o líder da bancada da Lega no Senado, Massimiliano Romeo. A primeira-ministra Giorgia Meloni compareceu ao mosteiro acompanhada do vice-primeiro-ministro Antonio Tajani e foi recebida com aplausos pelos militantes. O outro vice-primeiro-ministro e líder da Lega, Matteo Salvini, acolheu os chefes do governo no sagrato; pouco depois, partiu o coro "secessione, secessione", reacendendo um tema que marcou o passado da formação política.
Também marcaram presença os presidentes do Senado, Ignazio La Russa, e da Câmara, Lorenzo Fontana, além dos ministros Roberto Calderoli, Giuseppe Valditara, Alessandra Locatelli e Daniela Santanché. A composição de autoridades deixou claro o peso institucional do episódio: quando o rito público encontra as lideranças, a política mostra seu lado cerimonial e o impacto simbólico do “peso da caneta”.
Em suas palavras de despedida, Matteo Salvini lembrou que, há trinta anos, a batalha da Lega não era apenas política, mas de identidade. "Libertà, autonomia, territorio, lavoro, sacrificio, responsabilità, giustizia, sicurezza. In quattro parole: padroni a casa nostra", disse Salvini, sublinhando que a comunidade que Bossi ajudou a erguer segue em caminhada. "Buon viaggio Umberto, con te tutto è iniziato".
Uma das vozes mais próximas ao fundador veio de Aurelio Locatelli, de Gorlago, homem de presença robusta e trajetória dedicada ao partido. Conhecido como "Aurelio", ele integrou por décadas o serviço de segurança que cercava Bossi e esteve ao volante na noite do malore que atingiu o senador em março de 2004. Após a enfermidade de Bossi, Locatelli trabalhou também como motorista de Giancarlo Giorgetti e de Matteo Salvini, antes da mudança deste último para Roma em 2018. Ele chegou a ser eleito para o conselho federal da formação, permanecendo, no entanto, nas retaguardas enquanto testemunha da história.
Em conversa com a reportagem, Locatelli criticou a cobertura midiática que, segundo ele, distorceu a figura de Bossi. "Muitos jornalistas e opinionistas tentaram transformar Bossi no que ele não era", afirmou, com a veemência de quem construiu parte de sua vida em torno de uma causa. É um lembrete de como o relato público — e seus alicerces — influencia a memória coletiva.
Os funerais em Pontida foram, ao mesmo tempo, rito de despedida e ato político: os símbolos, os cantos e a presença das principais lideranças reforçam que a saga de Umberto Bossi continua a marcar a arquitetura do debate público no Norte italiano. Para os militantes, aquela história permanece viva; para a República, é mais um episódio em que as pontes entre passado e presente se mostram essenciais para entender os caminhos futuros.