Governo prioriza alto custo da energia e decisão sobre o fundo S.A.F.E. aplicado à Defesa

Governo avalia usar o fundo S.A.F.E., cortar accise e medidas contra o alto custo da energia; greve dos transportadores preocupa o abastecimento.

Governo prioriza alto custo da energia e decisão sobre o fundo S.A.F.E. aplicado à Defesa

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Governo prioriza alto custo da energia e decisão sobre o fundo S.A.F.E. aplicado à Defesa

Em reunião à margem do Consiglio dei Ministri no Palazzo Chigi, os líderes da maioria debateram hoje as respostas do Executivo ao alto custo da energia, a possibilidade de recurso ao fundo comunitário S.A.F.E. para contratos de defesa e o risco de paralisação do setor de transporte rodoviário.

Ao encontro participaram a primeira‑ministra Giorgia Meloni, os vices Antonio Tajani e Matteo Salvini, além dos ministros da Economia Giancarlo Giorgetti, dos Assuntos Europeus Tommaso Foti e da Defesa Guido Crosetto. Fontes presentes descrevem uma sessão focada em prioridades concretas para proteger famílias e empresas das pressões inflacionárias derivadas do conflito no Irã, que já provoca elevação de preços há dois meses e meio.

A prioridade política definida pela premiê, segundo apuramos, mantém o compromisso internacional de atingir gastos com a Defesa a 5% do PIB até 2035, mas realça que o contexto externo mudou desde quando esse objetivo foi assumido. No curto prazo, entretanto, a ação urgente é mitigar o impacto do aumento de tarifas energéticas sobre os mais vulneráveis.

O corte das accise sobre os combustíveis, cuja vigência expira no dia 22 de maio, está na pauta de medidas a serem avaliadas. Paralelamente, o governo tenta negociar com a Comissão Europeia uma margem adicional de flexibilidade orçamentária para custear intervenções destinadas a tutelar famílias e empresas diante do choque de energia. Foi o próprio ministro Giorgetti quem, no question time à Câmara, colocou a negociação em primeiro plano: só após o resultado desses contatos será possível avaliar a ativação de uma cláusula de salvaguarda nacional que permita ampliar despesas extraordinárias — inclusive para a defesa — frente à excepcionalidade do momento.

Sobre o uso do S.A.F.E., o ministro Crosetto foi claro ao destacar que a decisão de acionar o fundo e assinar contratos deve ser adotada pelo Ministério da Economia. Crosetto informou ter encaminhado correspondência a Giorgetti solicitando uma posição, e que aguarda retorno antes de qualquer passo definitivo.

Outro tema sensível em pauta foi a iminente greve dos autotransportadores, anunciada para 25 a 29 de maio, que tem gerado preocupação especialmente do vice Matteo Salvini. A paralisação prometida poderia agravar a já tensa cadeia de abastecimento e amplificar os efeitos do aumento do preço dos combustíveis — um efeito que o governo busca evitar com medidas de curto prazo.

Não foi aprofundado o dossiê sobre nomeações institucionais, com destaque para a renovação dos órgãos reguladores. A indicação para a presidência da Consob permanece bloqueada, após o recuo do subsecretário do Mef, Federico Freni, que retirou sua candidatura num contexto em que a Forza Italia exigia um perfil técnico para o cargo. Tajani ressaltou que a questão não é de nomes, mas de um perfil técnico adequado.

Em suma, o Executivo busca equilibrar o alicerce das obrigações internacionais com medidas de proteção social imediatas, enquanto negocia instrumentos europeus que possam derrubar barreiras orçamentárias. A tensão entre a urgência econômica e as metas de defesa permanece, e a caneta do Ministério da Economia é, por ora, o peso decisivo nessa arquitetura.