Governo busca recursos internos para prorrogar corte das accise e evitar paralisação dos TIR

Governo corre para financiar prorrogação do corte das accise e crédito ao setor TIR; reunião e CDM em 22/05 visam evitar greve dos transportadores.

Governo busca recursos internos para prorrogar corte das accise e evitar paralisação dos TIR

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Governo busca recursos internos para prorrogar corte das accise e evitar paralisação dos TIR

Roma está em plena movimentação para garantir a prorrogação do corte das accise sobre os combustíveis e a extensão do crédito de imposto dirigido ao setor dos TIR (transportadoras), medidas consideradas cruciais diante do atual caro energia. O Ministério da Economia (MEF) concentra-se, sobretudo, em identificar recursos internos que possam sustentar o pacote — informação que, segundo fontes governamentais, deve ficar mais clara nas próximas horas.

Na equação orçamentária pesam tanto a negociação em curso com a UE — onde a Itália pede ampliar à energia o mecanismo de salvaguardia já previsto para fundos de defesa — quanto a incerteza internacional, em especial as perspectivas de paz no Irã, que inviabilizam previsões de longo prazo sobre os preços do petróleo.

O governo trabalha também na renovação dos perfis dirigentes de órgãos reguladores, como Consob e Antitrust, cujos mandatos expiraram nas últimas semanas. As escolhas estiveram no centro de breves encontros entre líderes da maioria, sinalizando que a arquitetura institucional é parte dos alicerces que o Executivo pretende assentar sem ruídos.

Segundo o vice‑primeiro‑ministro e ministro dos Transportes, Matteo Salvini, "o decreto sobre as accise está pronto". Ele lembrou que na sexta‑feira foram convocadas as associações dos transportadores e que, em seguida, haverá um Conselho de Ministros (CDM) para formalizar os primeiros atos: “Não chamamos para conversas, mas para pôr em prática os primeiros intervenções”, afirmou.

O decreto atualmente em vigor vence em 22 de maio — mesmo dia em que está agendado o CDM. Em vigor desde 18 de março, o corte das accise corresponde hoje a 20 cêntimos por litro no gasóleo e 5 cêntimos por litro na gasolina, uma medida que custa cerca de 120 milhões de euros por semana.

O ritmo das decisões depende, em grande parte, da disponibilidade financeira interna e do desfecho das tratativas com Bruxelas. No plano doméstico, além dos instrumentos fiscais, a prioridade é evitar que a tensão social escale: entre 25 e 29 de maio os transportadores anunciaram greve, o que ameaça paralisar cadeias de abastecimento após quase três meses de confronto sobre preços e custos.

Na arena política, a coalizão mantém unidade sobre a necessidade de pedir uma derrogação temporária ao pacto de estabilidade para acomodar despesas de defesa e energia, alinhada à carta enviada pela primeira‑ministra Giorgia Meloni à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. A interlocução com Bruxelas prossegue, enquanto Roma tenta construir, com o peso da caneta e diálogo técnico, pontes que evitem rupturas na vida prática das pessoas e das empresas.

Como repórter que acompanha a interseção entre as decisões de Roma e o dia a dia dos cidadãos, observo que a situação é uma prova de como se ergue a construção de direitos em momentos de crise: é preciso combinar responsabilidade orçamental com medidas que protejam quem depende da estrada para trabalhar e alimentar o país.