Lega pressiona por compra de gás russo e pede que UE “saia da hipocrisia” para reduzir o custo da energia

Lega pede que UE compre gás e petróleo russos para reduzir custos de energia; Molinari critica a contradição nas compras de matérias‑primas.

Lega pressiona por compra de gás russo e pede que UE “saia da hipocrisia” para reduzir o custo da energia

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Lega pressiona por compra de gás russo e pede que UE “saia da hipocrisia” para reduzir o custo da energia

Em Roma, a discussão sobre energia voltou a ganhar o centro das atenções no Parlamento. Durante a informativa da primeira-ministra Meloni à Câmara, o líder da bancada da Lega, Riccardo Molinari, voltou a defender abertamente a reabertura do mercado europeu ao gás russo e ao petróleo da Rússia como medida imediata para conter o aumento do custo da energia.

“É fundamental suspender o pacto de estabilidade para nos permitir enfrentar o aumento dos custos energéticos”, afirmou Molinari ao iniciar sua intervenção, propondo que, no fórum europeu, se abra “outro debate e se saia da hipocrisia”. No cerne de sua crítica está a contradição — segundo ele — entre a proibição de importação de combustíveis russos e a manutenção das compras de matérias-primas necessárias à agenda verde: “Alguém me explique por que, quando as entregas de gás e petróleo da Rússia poderiam abaixar drasticamente os custos de energia, a Europa continua a não permitir isso; porém nós seguimos pagando o Putin por níquel e outras matérias‑primas que alimentam a transição verde da Comissão Europeia”.

O deputado da Lega acrescentou que “compramos da Rússia materiais para baterias e painéis solares, mas não podemos comprar o gás e o petróleo que ajudariam a reduzir os preços”. Molinari lançou ainda um desafio retórico à União Europeia: “A Comissão Europeia está em guerra contra a Rússia para defender a Ucrânia ou continua a guerrear contra a sua própria indústria, para destruí‑la e nos tornar ainda mais dependentes de terceiros?”.

Como correspondente que busca traduzir decisões de Roma para a vida cotidiana, é preciso pesar essas propostas sobre os alicerces da lei e da economia: a sugestão de reabrir linhas comerciais com a Rússia toca três pilares ao mesmo tempo — segurança geopolítica, soberania energética e o impacto direto na carteira das famílias. A metáfora é clara: qual é o projeto estrutural que queremos erguer — uma ponte que sustente a autonomia industrial europeia ou um atalho que possa comprometer futuros acordos estratégicos?

No mesmo debate, a primeira‑ministra Meloni reagiu às críticas e tocou pontos de sua gestão: quando questionada sobre pressões por demissões, disse que “me teria sido conveniente invocar eleições”, e em seguida reivindicou resultados em emprego, fisco, segurança e saúde. Do outro lado do hemiciclo, a líder do Partido Democrático, Elly Schlein, acusou o governo de não conseguir dizer “parem” a aliados como Trump e Netanyahu, enquanto o ex-primeiro-ministro Giuseppe Conte advertiu que “o alarme do referendo ainda não tocou”.

O que está em jogo é a arquitetura das escolhas públicas: decisões sobre energia não são apenas técnicas, são decisões que moldam a construção de direitos e a autonomia dos mercados. Se a proposta da Lega encontra eco em outras capitais europeias, ela poderia reduzir pressões inflacionárias a curto prazo — mas também reabriria debates sobre segurança, coerência diplomática e a sustentabilidade política de medidas que toquem sanções e alianças.

Como ponte entre o poder e os cidadãos, cabe destacar: qualquer alteração nas compras internacionais de energia exigirá normas claras, debate com o Parlamento e transparência sobre custos e benefícios. Derrubar barreiras burocráticas sem avaliar o risco estratégico seria apenas um conserto de superfície em vez de reforçar o alicerce de uma política energética duradoura.

Seguiremos acompanhando os desdobramentos em Bruxelas e Roma, avaliando como o peso da caneta nas decisões europeias se traduz, na prática, no bolso das famílias e na segurança industrial do continente.