Mastella revela diagnóstico de tumor: 'Não tenho medo de não resistir, temo morrer sozinho'
Mastella anuncia diagnóstico de tumor, pede orações e diz temer morrer sozinho; segue inaugurando obras e valoriza relações humanas.
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Mastella revela diagnóstico de tumor: 'Não tenho medo de não resistir, temo morrer sozinho'
Por Giuseppe Borgo — O prefeito de Benevento, Clemente Mastella, anunciou publicamente que enfrenta um tumor. Em entrevista ao Corriere della Sera, o responsável pela administração local descreveu o impacto do diagnóstico e falou sobre a fé e as relações humanas que atravessam a sua trajetória política.
Ao ser questionado se teme não conseguir vencer a enfermidade, Mastella respondeu com clareza: não tem medo de não resistir, mas acredita no poder da oração e pediu explicitamente que as pessoas rezem por ele. O prefeito explicou que desconfiava da doença havia algum tempo, mas a confirmação médica chegou somente recentemente e o momento em que tomou conhecimento do diagnóstico foi descrito como sufocante: sentiu faltar-lhe o ar.
A comoção se intensificou durante a celebração em honra da Madonna delle Grazie, padroeira do Sannio, quando o recém-empossado arcebispo Michele Autuoro dirigiu um pensamento aos doentes. Essas palavras, contou Mastella, tocaram-no profundamente e ajudaram a trazer à tona reflexões sobre a vida pública e privada.
Nos últimos dias, o prefeito celebrou os seus 50 anos de atividade política em Benevento. Perguntado se a cerimônia teve também um caráter de despedida, Mastella reconheceu que, no fundo, essa possibilidade esteve presente. Entre as manifestações recebidas, chegaram videomensagens de antigos adversários — um sinal, segundo ele, de que o seu método político funciona: nunca transformar o oponente em inimigo e preservar os laços humanos mesmo na disputa.
Sobre a sua presença pública, declarou que não pretende reduzir as aparições: segue comprometido, atualmente engajado na inauguração da nova Piazza Risorgimento, obra que diz ter sido totalmente reconstruída e motivo de orgulho. Ainda assim, enfatiza que momentos como o atual reordenam prioridades: a política não pode perder tempo, mas também não é tudo na vida.
É, contudo, uma confissão íntima que atravessa a entrevista: a medo de morrer sozinho. Mastella afirma que as memórias não bastariam nesse desfecho e que reza para que isso não aconteça. Essa frase abre uma fresta sobre a vulnerabilidade humana até nas figuras mais públicas e recalibra a percepção do tempo e dos laços — como se, ao reavaliar os alicerces da própria existência, o político estivesse a reexaminar também a arquitetura das relações que construiu ao longo de cinco décadas.
Como repórter e cidadão, registro que este episódio reforça a necessidade de uma ponte mais firme entre as decisões de Roma e a vida real dos municípios: saúde, suporte social e dignidade no fim de vida não são abstrações, são tijolos na construção de direitos. A comunicação de Mastella, direta e marcada pela fé, coloca no centro a pessoa que governa e a comunidade que o cerca — e convoca, sem alarde, um debate sobre cuidado, tempo e solidariedade.