Mattarella no 25 de Abril: “A lei do mais forte gera barbárie” e a urgência de proteger a democracia

Mattarella no 25 de Abril: a luta de Libertação e o alerta contra a “lei do mais forte” que ameaça direitos e a paz.

Mattarella no 25 de Abril: “A lei do mais forte gera barbárie” e a urgência de proteger a democracia

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Mattarella no 25 de Abril: “A lei do mais forte gera barbárie” e a urgência de proteger a democracia

Por Giuseppe Borgo — Em discurso no Quirinal, por ocasião do 25 de Abril e do 81º aniversário da Libertação, o Presidente da República, Sergio Mattarella, reafirmou que a luta de libertação é «uma página fundadora da história republicana» e que a Resistência representou o ato de nascimento da nossa democracia. "Segna il riscatto morale e civile di un popolo", disse o Presidente, lembrando o papel decisivo daquele movimento na afirmação dos valores de liberdade, justiça, paz e democracia.

No encontro com representantes das associações de combatentes no Quirinal, Mattarella dirigiu-se aos "custódios da memória": "Voi siete testimoni di una storia che non è materia per archivi ma perennemente vivente". A intenção foi clara — transformar memórias em alicerces de cidadania, uma ponte entre gerações que explique aos jovens os sacrifícios sem os quais a democracia não existe.

O Presidente não limitou seu discurso ao passado. Em passagem central, advertiu contra todas as formas de autoritarismo e sublinhou que os direitos conquistados não são intangíveis: exigem vigilância contínua. "Il fermo rifiuto di ogni forma di sopraffazione e di ogni deriva totalitaria — quale che sia la matrice ideologica o il preteso riferimento religioso che la ispiri — insieme al coraggio dimostrato da donne e uomini nel difendere la dignità della persona, costituisce un patrimonio morale di straordinario valore", afirmou Mattarella.

Com a linguagem de quem observa a arquitetura das sociedades, o Presidente lembrou que liberdade e paz são bens frágeis, passíveis de ruína se não forem diariamente protegidos. Foi nesse ponto que soou a advertência mais dura: a condenação da chamada "lei do mais forte", aplicada por potências e atores regionais que recorrem à força militar em prejuízo de populações civis indefesas. "In molte, troppe parti del mondo, uomini, donne e bambini vivono contesti di guerra... la dignità umana viene calpestata", observou, falando implicitamente sobre massacres recentes, incluindo os de Gaza, e outras tragédias que rasgam o direito internacional e o humanitarismo.

Ao posicionar-se contra a equiparação entre quem lutou pela democracia e quem apoiou a ditadura, Mattarella marcou uma linha de clareza institucional: memória não é narrativa neutra; é critério ético para julgar o presente. Esta ênfase tem efeitos práticos sobre o tecido cívico: fortalece a necessidade de políticas públicas que defendam direitos, derrubem barreiras burocráticas e promovam a inclusão de quem chega, seja migrante ou neto de emigrantes, na construção coletiva da cidadania.

Como correspondente preocupado com a interseção entre decisões de Roma e a vida cotidiana, vejo no discurso do Presidente um chamado a manter os alicerces da lei e da convivência: a democracia é uma obra em construção, cujo peso da caneta e da escolha política determina se ergueremos pontes ou muros. No 25 de Abril, a mensagem é clara — a memória da Resistência é ferramenta para combater a barbárie e impedir que a "lei do mais forte" substitua o direito.

Num tempo em que autoritarismos e violências transnacionais voltam a ameaçar populações civis, a fala de Mattarella funciona como um lembrete público: a proteção dos direitos fundamentais e do direito internacional exige vigilância, educação cívica e políticas que traduzam valores constitucionais em práticas concretas de convivência e solidariedade.