Mattarella: os enfermeiros são o "exército do bem" e pilar do direito à saúde

Mattarella chama os enfermeiros de 'exército do bem' e pede investimentos em formação e combate às desigualdades no acesso à saúde.

Mattarella: os enfermeiros são o "exército do bem" e pilar do direito à saúde

RESUMO ✦

Sem tempo? A Lili IA resume para você

Gerando resumo com IA...

Mattarella: os enfermeiros são o "exército do bem" e pilar do direito à saúde

Por Giuseppe Borgo - Em Roma, por ocasião do centenário da Jornada Internacional do Enfermeiro, o Presidente da República, Sergio Mattarella, fez um pronunciamento que sublinha a relevância social e política da profissão de enfermagem para o sistema de saúde italiano e para a convivência cívica.

Mattarella qualificou as categorias organizadas como um verdadeiro "exército do bem", destacando que a presença dos profissionais de enfermagem ao longo do tempo construiu alicerces sólidos na saúde pública nacional: "Celebramos hoje o longo percurso na sociedade e na saúde que a vossa profissão realizou no nosso País", afirmou o Chefe de Estado.

O Presidente insistiu que a solidariedade e o cuidar são valores estruturantes da vida em comum: "Prender-se ao outro, aos outros, é parte essencial do nosso bem-estar, da nossa segurança, da qualidade de vida". Nesta perspectiva, o cuidado deixa de ser apenas técnica e passa a ser um componente determinante da arquitetura dos direitos.

Mattarella lembrou que o trabalho dos enfermeiros é "motor da universalidade do direito à saúde", reforçando que a assistência deve ser garantida sem discriminações sociais ou raciais. "Curar a pessoa e não apenas a doença muda a perspectiva", disse, apontando que, mesmo num sistema progressivamente tecnológico, o profissional de enfermagem permanece um perno decisivo do serviço de saúde.

O Presidente também chamou atenção para a escassez de recursos humanos: atualmente são cerca de 462.000 enfermeiros, um número que, segundo ele, permanece insuficiente face às necessidades de cuidado das populações. Mattarella defendeu investimentos em formação e no reconhecimento profissional para conter a fuga de jovens qualificados para o exterior e garantir a sustentabilidade do sistema.

Sobre a saúde pública, o Chefe de Estado reafirmou que o direito universal à saúde é "uma pedra angular da nossa democracia" e advertiu contra as desigualdades territoriais no acesso aos serviços, problema especialmente grave nas áreas internas do país. A mensagem é clara: a coesão territorial é também uma questão de cidadania e de construção de direitos.

Mattarella evocou a figura de Florence Nightingale, nascida em Florença em 1820 e pioneira da enfermagem moderna, vinculando seu exemplo às tarefas contemporâneas dos profissionais em zonas de conflito e emergência. Citou, em particular, o trabalho "heróico" dos colegas em Gaza e em outros territórios devastados pela guerra.

O Presidente encerrou lembrando os "sacrifícios imensos" suportados pelo pessoal de saúde durante a pandemia e criticando quem tenta minimizar a gravidade do surto: "Há quem queira reduzir a pandemia a pouco mais do que uma ligeira gripe, esquecendo os esforços, muitas vezes heroicos, e o sofrimento de médicos e enfermeiros". Com esse alerta, Mattarella reforça a necessidade de preservar e valorizar o capital humano que sustenta o sistema de saúde.

Como repórter atento às decisões de Roma e ao impacto na vida cotidiana, vejo neste discurso uma chamada para reforçar os alicerces da lei e da política pública: investir em formação, sanar desigualdades e reconhecer o peso da caneta quando se definem prioridades orçamentárias é parte da construção de direitos. Os enfermeiros continuam a ser, na prática e na retórica do Estado, a ponte entre a nação e a saúde de cada cidadão.