Mattarella abre a Piazza del Quirinale aos “volti” da República no 80º aniversário
Mattarella abre a Piazza del Quirinale aos cidadãos no 80º da República; concertos, transmissões Rai e praças conectadas em todo o país.
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Mattarella abre a Piazza del Quirinale aos “volti” da República no 80º aniversário
Por Giuseppe Borgo — Em um gesto que altera a rotina cerimonial da capital, o Presidente Mattarella e a Presidenza della Repubblica decidiram marcar os 80 anos da República com uma celebração menos protocolar e mais dedicada ao público. A edição comemorativa da Festa della Repubblica prioriza a presença dos cidadãos: o tradicional brinde nos Giardini del Quirinale cede lugar a um concerto na Piazza del Quirinale, transmitido pela Rai e concebido como uma grande praça pública de memória e repertório.
Durante a coletiva na Sala del Bronzino, o conselheiro para a imprensa e comunicação do Quirinale, Giovanni Grasso, e o administrador delegado da Rai, Giampaolo Rossi, explicaram o novo formato. Para assinalar a excepcionalidade, também foi apresentado o logo do aniversário: um laço tricolor que forma o número 80, lembrando o voo acrobático das Frecce e enquadrando a torre do Palácio do Quirinale — um símbolo gráfico da arquitetura simbólica do Estado.
As celebrações começam já no dia 1º de junho com uma abertura dos jardins do Quirinale às chamadas categorias frágeis: participação da Croce Rossa, da Unione ipovedenti e ciechi, da Associazione persone down e outras associações. Das 9h30 às 13h30, a programação inclui contributos musicais das bandas das Forças Armate e jovens dos Campus Jazz. Às 12h está previsto o encontro com o Presidente; às 15h30, a fanfarra dos corazzieri a cavallo animará a Piazza del Quirinale.
À noite, às 18h, será realizada uma apresentação clássica na Cappella Paolina com a orquestra do Teatro dell'Opera de Roma sob a regência de Michele Mariotti, que interpretará a sinfonia nº 40 de Mozart. Em consequência, informa Grasso, este ano não haverá o habitual e concorrido recevimento do dia 1º — uma escolha que traduz a intenção de «derrubar barreiras burocráticas» e aproximar a festa do cidadão comum.
O dia 2 de junho mantém ritos institucionais: às 9h15, a homenagem do Presidente da República ao Altare della Patria e, em seguida, a revista militar. Às 18h50, a Rai Cultura vai ao ar com uma transmissão de uma hora — antes do noticiário — em que cidadãos, jovens, italianos no exterior e até um astronauta participarão de entrevistas ao Presidente. Às 21h15, em direto na Rai 1, será apresentado o evento intitulado "I volti della Repubblica", uma noite na qual cerca de 2.700 convidados selecionados ocuparão o grande palco montado na praça.
Em um esforço de descentralização, o evento ganhará eco em todo o país: um telão na Piazza del Quirinale exibirá, como um álbum de memórias coletivas, imagens-chaves dos 80 anos de República — do voto de 1946 aos anos de chumbo, do atentado a Aldo Moro às tragédias de Capaci e via D'Amelio, passando pela emergência Covid. Em colaboração com a ANCI, outras cem praças de municípios italianos irão transmitir o espetáculo.
Veronica Nicotra, secretária-geral da ANCI, destacou a mobilização local: cerca de cem municípios já confirmaram conexões, com prefeitos organizando atividades que envolvam jovens e estudantes desde as horas anteriores à transmissão. É uma estratégia para edificar, praça a praça, os alicerces de uma memória coletiva que não se contenta com cerimônias fechadas.
Esta mudança de formatação — menos mondanidade, mais povo — representa uma escolha simbólica: transformar a celebração republicana em uma ponte entre as instituições e a cidadania. Em linguagem prática, é o peso da caneta que decide não apenas datas e convidados, mas também a arquitetura do voto simbólico que a República quer projetar para os próximos anos.
Para os observadores públicos e para quem acompanha as políticas que afetam a vida cotidiana dos imigrantes e dos ítalo-descendentes, a novidade é relevante: o Estado opta por visibilidade compartilhada, em que a praça se torna o espaço de construção coletiva da memória e da cidadania.