Meloni defende decreto de segurança e diz que observações do Quirinale virarão medida ad hoc
Meloni defende o decreto de segurança e anuncia que observações do Quirinale virarão medida ad hoc; tensão na Câmara e votação de confiança amanhã.
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Meloni defende decreto de segurança e diz que observações do Quirinale virarão medida ad hoc
Giorgia Meloni saiu em defesa do decreto Segurança, rejeitando a leitura da oposição segundo a qual se trataria de "um pasticcio". Em declaração dada ao chegar ao Salone del Mobile em Milão, a primeira-ministra garantiu que os "rilievi" técnicos enviados pelo Quirinale serão transformados em um provvedimento ad hoc, uma solução que, segundo ela, responde aos limites de tempo impostos pela conversão do decreto.
Enquanto isso, em Roma, o clima esquentou na Câmara. Após a rejeição das questões prévias de constitucionalidade, parlamentares de oposição ocuparam o hemiciclo e se assentaram nos bancos do governo durante a tramitação do decreto Segurança. O vice-presidente de turno, Fabio Rampelli, advertiu repetidas vezes para que retornassem aos seus lugares e acabou expulsando da sessão o deputado do PD Arturo Scotto. A sessão foi então suspensa.
A direção da Câmara definiu o calendário: a votação da confiança sobre o decreto ocorrerá amanhã, com início das declarações de voto marcado para as 16h; na sequência será examinada a lista de 145 ordens do dia. A Conferência de Capigruppo confirmou ainda a realização do question time amanhã às 15h. São decisões que moldam os alicerces da lei e podem determinar o rumo prático das medidas sobre segurança e migração.
Meloni insistiu que a norma ficará em pé porque se trata de uma regra de "absoluto bom senso". "Estou surpresa com as críticas que ouvi das oposições nos últimos dias", disse a presidente do Conselho. Ela explicou que estão sendo reunidos os "rilievi técnicos" do Quirinale e de advogados para converter essas observações em um ato específico, devido à falta de margem temporal para corrigir o decreto durante a conversão.
Em relação ao rimpatrio voluntario assistito, Meloni questionou a incoerência de se reconhecer o gratuito patrocinio ao advogado que assiste o migrante em recurso contra decreto de expulsão, mas não reconhecer o trabalho do profissional que acompanha o migrante que opta pelo retorno voluntário assistido. "Parece-me que nisso estávamos de acordo; a União Europeia nos pede para intensificar esse instrumento e nós estamos trabalhando para reforçá-lo", afirmou, ressaltando que pretende seguir com a política, mesmo diante de divergências públicas.
Ao ser questionada sobre a possibilidade de estender além de 1º de maio o corte das accise, Meloni evitou um comprometimento automático e destacou que existem "importantes negociações" em curso — citando interlocuções com Islamabad e o esforço diplomático relativo ao confronto Israel-Líbano. "Veremos, com base no resultado desses processos, quais serão as prioridades", disse, numa imagem que lembra a construção cuidadosa de uma ponte entre prioridades internas e geopolíticas.
Por fim, a premiê também abordou o tema do Estreito de Ormuz, mencionando a eventual adesão italiana a uma missão internacional para a defesa da passagem. Sobre esse ponto, Meloni preferiu manter a agenda aberta, indicando que as decisões serão alinhadas com os compromissos estratégicos e de segurança.
O episódio de hoje reafirma a tensão entre os poderes e a necessidade de transformar observações institucionais em normas claras, sem perder de vista o impacto direto sobre cidadãos, migrantes e operadores jurídicos. Como repórter atento à arquitetura do voto e ao peso da caneta que escreve leis, continuarei acompanhando a votação da confiança e os desdobramentos legislativos que moldam esses alicerces.