Meloni segue firme: começa na comissão a reforma da lei eleitoral e a maioria enfrenta dissensos

Meloni inicia na comissão a reforma da lei eleitoral (Stabilicum); aliados têm dissensos sobre ballottaggio, premio e preferenze, mas prometem seguir adiante.

Meloni segue firme: começa na comissão a reforma da lei eleitoral e a maioria enfrenta dissensos

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Meloni segue firme: começa na comissão a reforma da lei eleitoral e a maioria enfrenta dissensos

AGI — O comando veio diretamente do gabinete da primeira-ministra: não há volta atrás na riforma da lei eleitoral. O texto conhecido como Stabilicum inicia amanhã o seu percurso na comissão de Assuntos Constitucionais da Câmara, mas o caminho está longe de ser plano.

Além das resistências internas na própria maioria — onde não se excluem alterações ao texto já apresentado —, existem no momento divergências entre os aliados sobre pontos sensíveis como ballottaggio (segundo turno), premio e sistema de preferenze. Fontes de FdI repetem que não haverá obstrução ao processo por parte da aliança, embora também reconheçam que a reforma não esteja entre as prioridades sentidas pela opinião pública.

O partido de Giorgia Meloni pretende “bullonare” o percurso legislativo para garantir que o projeto fique protegido, segundo a linha traçada pelas instâncias superiores. Ainda assim, dirigentes do partido negam que exista uma pressa além do lógico: uma vez apresentado o texto, diz o raciocínio, é natural que o rito parlamentar se inicie.

“Vemos: são muitos os temas na agenda, a prioridade para os italianos não é a lei eleitoral”, disse Giovanni Donzelli, responsável pela organização do partido. Mas há uma posição inegociável para FdI — e, por extensão, para a premièr: a nova lei deve assegurar a governabilità. Em outras palavras, a reforma precisa garantir um vencedor certo nas urnas, eliminando riscos de empates, pantanos eleitorais ou governos técnicos indesejados. Nesta premissa, os conservadores acreditam poder encontrar apoio até mesmo no PD, que interessaria em disputar a eleição com uma possibilidade real de vitória.

Dar início ao procedimento já na comissão é também, explicam membros do governo, um gesto político claro: mostrar que o compromisso firmado será mantido. A Lega assegura fidelidade à primeira-ministra e, oficialmente, não levantará obstáculos. Forza Italia, por sua vez, manifesta reservas quanto ao calendário e a alguns pontos do texto depositado, mas não se coloca como contraponto aberto nesta fase. Há, porém, uma nota de desconfiança sobre as reais intenções dos parceiros quando chegar a hora das negociações substantivas.

Do lado contrário, a oposição monta uma trincheira. O PD deixou claro que o tema não é terreno para «forzature» nem para soluções impostas de cima para baixo; políticas eleitorais precisas, afirmam opositores, exigem diálogo amplo e sem pressa.

Na prática, ainda não houve contactos formais entre os dois blocos. A maioria não descarta a hipótese de abrir mesas de confronto, mas alerta: o confronto não pode ser um pretexto para não alterar nada. Caso o centro-esquerda recuse o diálogo, o governo já considera seguir adiante sozinho com o processo.

Estamos, portanto, diante da construção de um novo marco eleitoral: uma obra que busca erguer alicerces de governabilidade e dar uma ponte segura entre a vontade popular e a estabilidade institucional. Resta ver se, no canteiro parlamentar, haverá consenso suficiente para moldar essa arquitetura sem deixar fissuras que comprometam o resultado final.

Giuseppe Borgo — Espresso Italia