Governo Meloni prepara plano de emergência energética, mas evita alarde

Governo Meloni atualiza plano de gás e se prepara para emergência energética, sem medidas imediatas; foco em monitoramento e coordenação com a UE.

Governo Meloni prepara plano de emergência energética, mas evita alarde

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Governo Meloni prepara plano de emergência energética, mas evita alarde

Por Giuseppe Borgo — O Governo Meloni afirma estar pronto para enfrentar uma possível emergência energética, ao mesmo tempo em que tenta conter o pânico público. Após a carta do comissário da UE para a Energia, Dan Jørgensen, endereçada aos 27 Estados-membros com recomendações para mitigar a crise desencadeada pelo conflito no Oriente Médio, o Executivo italiano reativou a revisão do plano do sistema de gás natural que data de 2023. Contudo, até o momento não há medidas ad hoc aprovadas.

As medidas propostas pela União Europeia servem como um conjunto de ferramentas a serem acionadas se necessário: incentivo ao uso de transporte público, redução dos limites de velocidade em rodovias, promoção do car sharing, redução de deslocamentos não essenciais e incentivo ao smart working. Também está em estudo a possibilidade de impor limites ao uso de condicionadores de ar para o próximo verão. No entanto, em Roma a linha do Governo é de pragmatismo: monitoramento contínuo e medidas calibradas, sem reproduzir o clima da crise energética dos anos 1970.

No Palácio Chigi cresce a ênfase no realismo técnico e na guarda das reservas: as autoridades garantem, por ora, a estabilidade dos fornecimentos. A avaliação do Gabinete parte do princípio de que o conflito regional pode se prolongar, uma vez que não se acredita que Israel e os Estados Unidos interromperão as operações contra o Irã. Observadores no governo acompanham com atenção a escalada retórica do Presidente dos EUA — e seus possíveis desdobramentos operacionais —, mas evitam leituras apocalípticas.

O ministro da Defesa, Guido Crosetto, durante sua informação à Câmara sobre o uso de bases americanas em território italiano, expressou preocupação quanto ao risco de uma escalada nuclear, ainda que a Casa Branca tenha desmentido a hipótese de considerar tal opção. Essas avaliações de segurança, contudo, não mudam a prioridade doméstica: blindar o sistema energético nacional e reduzir vulnerabilidades externas.

No plano político interno, a Lega voltou a pressionar pelo retorno da importação de petróleo russo e por uma suspensão temporária do Pacto de Estabilidade europeia, medida já reivindicada na semana anterior pelo ministro Giancarlo Giorgetti, mas rejeitada pela Comissão Europeia. "Qualquer redução de impostos sobre combustíveis é inútil se a União Europeia não agir coordenadamente", afirmou o vice-ministro das Infraestruturas, Edoardo Rixi. O capogruppo da Lega, Riccardo Molinari, advertiu que cortes isolados podem comprometer todo o sistema.

Bruxelas, por sua vez, ressaltou que nenhum Estado-membro solicitou até agora a ativação da cláusula de salvaguarda do Pacto de Estabilidade para atenuar o impacto da crise energética, contrapondo o cenário de 2022 — quando houve uma carta de cinco ministros das Finanças, incluindo Giorgetti, pedindo medidas europeias para tributar lucros extraordinários das empresas de energia.

Em suma, a arquitetura de decisão em Roma assume a forma de uma ponte entre governança e sociedade: a estratégia passa por atualizar os alicerces do sistema energético, reforçar o monitoramento e preparar respostas técnicas, sem recorrer ao alarme público. A prioridade continua sendo a proteção dos cidadãos e das cadeias de abastecimento, enquanto se busca coordenação europeia para medidas de longo alcance.