Meloni: referendo sobre a justiça não define o destino do governo, diz que reforma corrige boa parte dos problemas

Meloni afirma que o referendo da justiça não decide o destino do governo e defende a reforma como correção de problemas institucionais.

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Meloni: referendo sobre a justiça não define o destino do governo, diz que reforma corrige boa parte dos problemas

Em entrevista ao programa Quarta Repubblica, a primeira-ministra Giorgia Meloni afirmou que o destino do governo não está atrelado ao resultado do referendo da justiça. A chefe do Executivo buscou traçar uma linha nítida entre a consulta popular e a avaliação global de sua gestão, afastando a comparação histórica com a estratégia adotada por Matteo Renzi.

Segundo Meloni, a votação tem natureza estrutural e não plebiscitária: é parte de um conjunto maior de intervenções que seu gabinete promoveu nos últimos quatro anos. "A reforma da justiça é muito importante, mas é apenas uma das mil medidas que fizemos", declarou, ressaltando que o julgamento dos eleitores deve incidir sobre o conjunto da ação governamental, e não apenas sobre uma consulta separada.

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Ao reagir às críticas das oposições sobre a estabilidade ministerial, a premier descartou preocupações imediatas: "Não estou aqui para falar como se tudo fosse desabar; essa oposição repete todos os meses que vai ruir, e já se passaram quatro anos sem que tal colapso ocorra". A afirmação busca proteger os alicerces da coalizão e mostrar que a arquitetura do voto não é sinônimo de derrubada do Executivo.

Meloni também apontou uma suposta incoerência no campo adversário, citando especificamente o Partito Democratico (PD), o Movimento 5 Stelle (M5S) e o magistrado Nicola Gratteri. Lembrou que o PD já havia apoiado a ideia da separação de carreiras, enquanto o M5S teria defendido o sorteio para membros do CSM — posições que, na visão da premiê, tornam difícil entender a atual resistência de parte da esquerda.

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"Não sei por que mudaram de ideia. No caso de Gratteri, não creio que o 'não' se deva apenas ao fato de haver um governo de direita; no caso da esquerda, sim", afirmou. A crítica sugere que o debate público vem sendo contaminado por excessos retóricos que escondem a falta de argumentos técnicos sobre o mérito das propostas.

No cerne do projeto de alteração está o objetivo de superar as lógicas spartitorie (de distribuição de cargos) dentro da magistratura. Meloni disse querer proteger a independência judicial dos mecanismos de poder interno e permitir que magistrados competentes progridam na carreira por mérito, mesmo sem estarem inseridos em correntes partidárias ou redes de influência.

"Quero uma reforma que permita aos magistrados que fazem bem o seu trabalho avançar na carreira, mesmo sem as 'amizades' certas. São milhares os juízes que trabalham corretamente e foram muitas vezes desvalorizados por não terem as conexões adequadas", declarou. A iniciativa, sublinhou a premiê, não pretende atacar a ordem judiciária, mas valorizar sua eficiência — uma intervenção para reforçar os alicerces da lei e derrubar barreiras burocráticas internas.

Como repórter atento à construção de direitos e à ligação entre as decisões de Roma e a vida dos cidadãos, observo que o embate agora se desloca para o terreno da persuasão pública: a reforma é apresentada pelo governo como uma ponte para uma magistratura mais meritocrática; opositores a veem, por ora, como risco à independência. A batalha comunicativa seguirá influenciando não só o resultado do referendo, mas a percepção sobre quem realmente sustenta a arquitetura do Estado de Direito.

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