Meloni replica a Trump: “Ser sua amiga não aumentou minha popularidade; ocupe-se dos seus votos”
Meloni responde a Trump: 'Ser sua amiga não aumentou minha popularidade' e reafirma soberania sobre bases militares e interesses nacionais.
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Meloni replica a Trump: “Ser sua amiga não aumentou minha popularidade; ocupe-se dos seus votos”
Por Giuseppe Borgo, Espresso Italia
Em nova troca de farpas entre Roma e Washington, a premier Giorgia Meloni respondeu de forma direta ao presidente dos EUA, Donald Trump, após críticas públicas do americano sobre suas motivações políticas. Em publicação na sua conta em X, a chefe do governo italiano disse que “ser sua amiga não ajudou a minha popolaridade” e sugeriu a Trump que concentre-se no declínio de seus próprios apoios.
O episódio teve origem em declarações de Trump que questionaram um suposto reaproximação de Meloni a Washington para fins eleitorais e chegaram a mencionar episódios do encontro entre líderes no G7 de Évian. A resposta da primeira-ministra foi publicada nas redes oficiais do governo com tom firme e objetivo: “Presidente Trump, esses ataques contínuos e infundados não têm sentido”, começou ela, reafirmando que sua popularidade deriva da defesa dos interesses nacionais da Itália.
Na nota, Meloni enfatizou que seu relacionamento pessoal com o líder americano não condiciona sua capacidade de governar. “A minha popularidade depende da minha capacidade de defender os interesses nacionais da Itália, e é exatamente isso que sempre procurei fazer”, afirmou, construindo uma linha de defesa que mistura a proteção dos direitos nacionais com a imagem pública do Executivo.
Um dos pontos mais sensíveis da disputa envolve as basi militari norte-americanas em solo italiano. A primeira-ministra reafirmou que a utilização dessas estruturas está regulada por acordos internacionais vigentes e que, enquanto estiver no cargo, não serão violados, invocando o princípio da sovranidade nacional: “A Itália permanece uma nação soberana”.
Além do confronto direto com Trump, a controvérsia gerou repercussões no cenário político italiano. Figuras públicas como Carlo Calenda reagiram com críticas duras à intervenção do presidente americano; Giuseppe Conte avaliou como equivocada a estratégia de exposição; e o ministro Antonio Tajani chegou a cancelar uma viagem de Estado prevista aos EUA, sinalizando um momento de tensão diplomática.
O embate também foi alimentado por declarações do ex-presidente americano em programas televisivos, onde desdenhou do encontro com Meloni no G7, chegando a relatar que a premiê teria pedido uma foto. A réplica italiana buscou desmontar afirmações que classificou como inventadas e desprovidas de fundamento.
Como repórter político, vejo este confronto como mais um capítulo na construção dos alicerces da relação entre dois aliados: uma disputa pública que não apenas afeta a diplomacia, mas também reverbera sobre a percepção dos cidadãos — italianos e ítalo-descendentes — sobre até que ponto as decisões tomadas em Roma são fruto de soberania ou de pressões externas.
Meloni encerrou a nota com uma mensagem direta: “Em todo caso, a minha popularidade não é da sua conta. Sugiro que se ocupe da sua.” A frase resume uma tentativa de colocar uma ponte de firmeza entre a autoridade do governo italiano e as turbulências do cenário internacional.