Meloni diz que tabu do Quirinale pode ser superado: 'Presidente de centro-direita é possibilidade real'

Meloni afirma que tabu de um presidente de centro-direita no Quirinale pode ser superado e defende reforma eleitoral e remigração assistida.

Meloni diz que tabu do Quirinale pode ser superado: 'Presidente de centro-direita é possibilidade real'

RESUMO ✦

Sem tempo? A Lili IA resume para você

Gerando resumo com IA...

Meloni diz que tabu do Quirinale pode ser superado: 'Presidente de centro-direita é possibilidade real'

Em entrevista ao programa '10 Minuti' na ReteQuattro, a primeira-ministra Giorgia Meloni afirmou que a hipótese de um presidente da República originado do centro-direita, no caso de vitória nas próximas eleições, é uma opção que desafia um estabelecimento que ainda percebe essa possibilidade como problemática.

Meloni disse que "o establishment existe e sente isso", mas lembrou que muitas convicções tidas como imutáveis já foram alteradas nos últimos anos. "Pensava-se que nada pudesse mudar e, no entanto, demonstrou-se que as coisas podiam mudar", afirmou. Para a premiê, isto significa que também se pode acabar com outro grande tabu: ter um presidente da República que não seja identificado com o centro-esquerda.

Na sua leitura, a eventualidade de um chefe de Estado vindo do campo do centro-direita seria uma forma de reafirmar um princípio que ela defende há muito tempo e com "sacrifícios significativos": que quem não é de esquerda não é cidadão de segunda classe, mas detém os mesmos direitos e dignidade que os outros.

Sobre a reforma da lei eleitoral em discussão, Meloni reafirmou que a proposta do governo não favorece partidos específicos, mas busca devolver aos italianos o poder de escolher quem governa. "É uma lei que não favorece ninguém, mas favorece os italianos porque os italianos escolhem quem vence", declarou. A premiê observou que a reforma sofre resistência daqueles que têm governado sem ter vencido eleições, pois desejam manter o status quo.

No tema da remigração, Meloni esclareceu que, na sua concepção, trata-se de repatriações voluntárias assistidas, práticas que já são realizadas pelo Estado italiano, pela União Europeia e por organizações como o ACNUR. "Significa acordar com estes migrantes para os enviar de volta ao seu país", explicou, admitindo que a situação se complica quando há pessoas que não desejam regressar voluntariamente.

Ao comentar as recentes controvérsias sobre o relacionamento com os Estados Unidos, Meloni negou ser antiamericana e reiterou consistência na sua posição: acredita num Ocidente mais forte, especialmente se capaz de permanecer unido. "Sou franca e os laços sólidos também se baseiam na franqueza", disse, acrescentando que não aceita faltar com respeito e que sua visão sobre o presidente Donald Trump e os EUA não mudou com o tempo. Sobre gestos durante conversas com líderes estrangeiros, relativizou: costuma gesticular muito.

Por fim, Meloni avaliou que o movimento do deputado Vannacci não difere substancialmente dos demais partidos de oposição, pois, na sua visão, votam como a esquerda, querem derrubar o governo e passam o dia criticando a sua administração: "Votam como a esquerda, querem mandar o governo embora e só falam contra nós o dia todo".

Como repórter atento à arquitetura da vida política italiana, observo que as declarações de Meloni apontam para uma tentativa de desconstrução de barreiras simbólicas no cerne das instituições. A proposta de alterar a lógica da sucessão presidencial e a defesa de mecanismos eleitorais que deem mais voz direta aos eleitores representam tentativas de mexer nos alicerces da lei e na construção de direitos civis e políticos. Resta acompanhar como essa ponte entre decisões de Roma e a cidadania será recebida pelo Parlamento, pelas cortes e, sobretudo, pela sociedade civil.