Meloni pede à UE mais flexibilidade na manobra para apoiar famílias e empresas ante alta da energia

Meloni pede à UE mais flexibilidade na manobra para reduzir preços da energia e apoiar famílias e empresas com mais de €14 bi disponíveis em dois anos.

Meloni pede à UE mais flexibilidade na manobra para apoiar famílias e empresas ante alta da energia

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Meloni pede à UE mais flexibilidade na manobra para apoiar famílias e empresas ante alta da energia

Em entrevista por videochamada ao Il Gazzettino, a primeira-ministra Giorgia Meloni antecipou os pontos centrais da carta que enviará à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, solicitando uma margem adicional de flexibilidade orçamental para enfrentar a crise energética. Segundo Meloni, a disponibilidade obtida até agora na UE representa "mais de 14 bilhões de euros em dois anos" e deve ser usada para medidas que reduzam de forma estrutural os preços da energia, em particular para as empresas.

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"Acreditamos que, diante de uma inflação impulsionada pelo aumento global do custo da energia, é necessário reconhecer aos Estados-membros uma flexibilidade adicional para sustentar famílias e empresas", disse a premiê, antecipando o teor do pedido formal que seguirá a Bruxelas. A mensagem é clara: a Itália quer transformar a margem concedida pela UE em alívio efetivo e duradouro para o tecido produtivo e para as famílias mais expostas ao choque energético.

Meloni destacou ainda que há várias frentes em que a Europa pode ampliar a sua ação, e que o trabalho em conjunto com outros governos já rendeu resultados, citando a obtenção da janela financeira de 14 bilhões como exemplo de que é possível "levar para casa resultados" quando há interlocução coordenada entre capitales.

A primeira-ministra lembrou os compromissos europeus nas próximas semanas — a reunião em Luxemburgo e o Conselho Europeu em duas semanas — e admitiu a dificuldade de conciliar interesses de tantos atores diferentes. Ainda assim, valorizou que propostas inicialmente defendidas pela Itália foram agora acolhidas por outros colegas, um sinal de que essas questões se tornaram prioritárias para vários governos.

Sobre a próxima manobra orçamental, Meloni garantiu continuidade: "Continuaremos na direção que trilhamos até agora", afirmou. A estratégia do governo, segundo ela, tem sido acrescentar, ano após ano, um novo "tijolo" à mesma arquitetura política: priorizar salários, defesa do poder de compra, apoio às empresas, proteção da família, incentivo à natalidade e investimentos em saúde. "Herdamos uma situação das contas longe de ser rosada", lembrou, justificando a escolha de concentrar as escassas margens em prioridades sociais e produtivas — quem contrata e quem produz na Itália.

O tom de Meloni foi ao mesmo tempo pragmático e político: ao ser questionada sobre seu futuro, respondeu de forma direta e sintética, mantendo a mesma ênfase na centralidade do voto popular: "Depende dos italianos".

Como repórter atento à arquitetura das decisões públicas, observo que o pedido de Roma à União Europeia é tanto um apelo técnico por maior espaço fiscal quanto uma aposta política: transformar a margem extra em medidas estruturais que reduzam o custo da energia e fortaleçam a competitividade. Se a UE responder, o impacto será medido não apenas em bilhões, mas na capacidade de reconstruir alicerces econômicos e sociais, derrubando barreiras burocráticas que hoje pesam sobre famílias e pequenas e médias empresas.

Em suma, a carta a von der Leyen e os próximos encontros europeus serão testes cruciais para a habilidade de Roma em conseguir que o peso da caneta — a decisão coletiva em Bruxelas — se converta em alívio concreto para os cidadãos. A construção de direitos e proteção social passa também por essa ponte entre as decisões de Roma e as engrenagens de decisão em Bruxelas.

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