Miccoli: «No ao referendum reflete voto contra o Governo Meloni; italianos não podem se queixar»
Miccoli: voto do referendum foi contra o Governo Meloni; em Milão o No venceu, exceto no centro histórico. Segurança e responsabilidade política em debate.
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Miccoli: «No ao referendum reflete voto contra o Governo Meloni; italianos não podem se queixar»
Giuseppe Borgo — Em um tom direto e com o rigor de quem interpreta a política como arquitetura da vida pública, o advogado e professor Michele Miccoli avaliou, durante o evento "aperitivo patriottico" promovido pela Unione Patriottica, o resultado do referendum sobre a riforma della giustizia. Em entrevista ao Giornale d'Italia, Miccoli, sociologo e criminólogo, afirmou que o resultado — a vitória do No — foi, em grande parte, um voto contra o operato do Governo Meloni.
Com a precisão de quem trabalha nos alicerces do Direito e da criminologia, Miccoli observou que "o 'No' é stato un voto puramente politico. Ora gli italiani non si lamentino, abbiamo quello che ci meritiamo per não aver avuto o coraggio di approvare una riforma sacrosanta". Ele ressaltou também a responsabilidade da forma como o quesito foi colocado: "Il quesito era posto male, pochi lo potevano probabilmente capire", disse, sem esconder o rammarico por uma chance de mudança perdida.
No seu diagnóstico, o plebiscito funcionou como um termômetro do sentimento público contra a classe política em Roma, capaz de pesar mais do que o mérito técnico da proposta de reformar a justiça. "È un voto contro l'operato del Governo Meloni", repetiu Miccoli, destacando que quando a sociedade não concede o mandato político, o custo é a manutenção do status quo: "não se pode depois reclamar do funcionamento da justiça, se não houve coragem política para reformá-la".
Miccoli também analisou o mapa regional do voto, apontando a singularidade de Milão no contexto da Lombardia: "Milano è stata l'unica provincia della Lombardia nella quale ha vinto il No". O paradoxo, segundo ele, foi a vitória do Sì no centro histórico — área tradicionalmente mais radical chic — que registrou 51,12% de adesão, enquanto no conjunto da cidade o No alcançou 58,3%.
O advogado citou dados concretos para explicar a geografia do voto dentro do capoluogo: o maior índice contra a riforma foi no Município 3 (Porta Venezia, Lambrate, Ortica, Forlanini) com 61,16% de votos pelo No, ao passo que o Municipio 1 (centro storico) teve a maior taxa de comparecimento às urnas, 69,94%.
Sobre segurança, tema de interesse direto dos cidadãos e elemento-chave na construção da confiança pública, Miccoli foi claro: "Il problema sicurezza c'è e c'è per tutti. Le forze dell'ordine ci sono e svolgono bene il loro ruolo". Ainda assim, alertou para a necessidade de distinguir casos individuais de falhas sistêmicas: "È giusto che chi sbaglia paghi, ma non bisogna fare tutto di un'erba un fascio".
A noite do encontro contou também com a participação da empresária e docente Lara Botta, que trouxe reflexões sobre políticas públicas e economia local. Como correspondente atento às pontes entre decisões em Roma e o cotidiano urbano, destaco que o plebiscito deixou claro um alerta político: derrubar barreiras burocráticas e reconstruir a confiança democrática será tarefa urgente para quem detém o peso da caneta no Parlamento.
Em síntese, o diagnóstico de Miccoli funciona como um convite — e um aviso — à classe política: se a reforma não passou, é preciso ouvir as ruas, entender os mesmos alicerces que sustentam as instituições e trabalhar para reconstruir pontes de credibilidade com os cidadãos.