Milão mantém geminação com Tel Aviv; Sala rejeita rompimento apesar dos protestos e pressão dos Verdi
Milão mantém geminação com Tel Aviv após veto de Sala; sessão marcada por protestos, tensão no plenário e pedidos dos Verdi por suspensão.
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Milão mantém geminação com Tel Aviv; Sala rejeita rompimento apesar dos protestos e pressão dos Verdi
Por Giuseppe Borgo — 17 de abril de 2026
O Conselho Municipal de Milão decidiu, por 21 votos contra e 9 a favor, não interromper a geminação com Tel Aviv. A proposta, apoiada pelo Partido Democrático e fortemente pressionada pelo grupo dos Verdi, pedia a suspensão dos laços institucionais com a cidade israelense, em resposta à escalada de violência na Faixa de Gaza. A moção, no entanto, não vingou: o prefeito Beppe Sala optou por manter o vínculo.
A sessão em Palazzo Marino foi marcada por confrontos dentro e fora do edifício. Do lado de fora, manifestantes pró-Palestina empurraram as grades de proteção e gritaram “vergogna”. A polícia interveio e, segundo relatos presentes na cena, fez uso de cacetetes para conter a investida. Dentro do plenário, houve momentos de tensão entre vereadores e ativistas; conselheiros do PD e de Europa Verde tentaram aproximar os manifestantes para restaurar a calma enquanto recolhiam assinaturas para a proposta de suspensão.
Sala fundamentou sua posição em dois vetores: uma condenação firme das políticas do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e a manutenção de canais de diálogo com vozes críticas dentro de Israel. O prefeito disse ter recebido uma ligação do prefeito de Tel Aviv, Ron Huldai, e uma carta na qual Huldai pedia a preservação do gemellaggio. "Na nossa condenação das políticas de Netanyahu, acreditamos em continuar interlocuções com quem em Israel critica o que está a acontecer e, ao mesmo tempo, reforçar o apoio e a ajuda às populações martirizadas", declarou Sala, defendendo iniciativas concretas em favor de Gaza — mencionando, em suas palavras, ações já em curso "em particular com MM" — e reafirmando que a democracia passa também pela continuidade do diálogo.
Os Verdi foram veementes: repetem que é evidente um quadro de genocídio em Gaza e exigem uma posição municipal mais contundente. Em nota, os conselheiros do grupo apontaram ainda a existência de um documento não oficial — um arquivo editável cujo histórico de alterações indica modificação por um funcionário do próprio município — que, segundo eles, mostra tentativas de pressão em benefício da manutenção do laço. A acusação reforçou o clima já polarizado.
Este episódio coloca Milão no eixo entre simbolismo e pragmatismo institucional. Romper a geminação teria sido um gesto simbólico com forte carga ética; manter o acordo preserva canais de diálogo e cooperação, uma espécie de ponte que pode permitir ajuda humanitária e intercâmbio crítico. Como repórter atento aos alicerces da lei e ao impacto real das decisões políticas, registro que a escolha de Sala mantém intactos os canais institucionais, mas não apaga a tensão social representada pelos protestos.
Nos próximos dias será preciso acompanhar como essa decisão se converterá em iniciativas concretas: aumento de ajuda humanitária, projetos com organizações locais e eventuais desdobramentos administrativos ou legais pedidos pelos grupos que buscaram o rompimento. A cidade, afinal, continua a erguer e a testar os seus alicerces civis — uma construção delicada entre direitos, pressão pública e responsabilidade institucional.