Mostra imersiva em Montecitorio reacende memória da Assembleia Constituinte e da Constituição de 1946
Exposição em Montecitorio revisita 1946, a Assembleia Constituinte e a gênese da Constituição, com documentos e área multimídia. Abertura ao público de 7/5 a 30/12.
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Mostra imersiva em Montecitorio reacende memória da Assembleia Constituinte e da Constituição de 1946
Em uma visita que funciona como ponte entre nações e lembrança dos alicerces da nossa ordem democrática, foi inaugurada na quarta-feira, 6 de maio, a exposição "1946: nasce la Repubblica. L'Assemblea Costituente a Montecitorio". A mostra ocupa espaços históricos da Câmara dos Deputados e propõe um percurso documental e multimídia sobre o nascimento da República italiana e os primeiros passos da República pós-fascista.
Entre os documentos em exibição estão os verbais da Corte di Cassazione com os resultados do referendo de 2 de junho de 1946, uma das três cópias originais da Constituição, e a correspondência entre Palmiro Togliatti e Alcide De Gasperi sobre o reconhecimento do direito ao voto feminino. São peças que materializam a arquitetura do voto e o peso da caneta na construção dos direitos civis.
A apresentação ocorreu na Sala Aldo Moro, com a participação do presidente da Câmara, Lorenzo Fontana, e do secretário‑geral, Fabrizio Castaldi. Na sequência, foi realizada a primeira visita guiada na Sala della Lupa, onde está montado o percurso expositivo, com explicações do Sovrintendente do Arquivo Histórico da Câmara, Paolo Massa.
O percurso combina documentos conservados especialmente no Arquivo Storico della Camera e uma área multímidia para reconstruir os grandes temas de 1946: o referendo institucional, a primeira participação eleitoral das mulheres italianas, os resultados do pleito, a sessão inaugural da Assembleia Constituinte e os passos iniciais da recém‑nascida República. Temáticas dedicadas aprofundam as personalidades que fizeram parte da Assembleia, o método de trabalho adotado e a cronologia dos debates até a redação, aprovação final e assinatura da Constituição.
O presidente Fontana qualificou a iniciativa como "uma mostra dedicada às etapas salientes que marcaram a nascita della Repubblica italiana", destacando a "rinascita do país após a ditadura fascista" — uma leitura que chama atenção para a reconstrução institucional como processo de reconstrução civil e social.
Na inauguração estiveram representantes de diferentes forças políticas, incluindo a secretária do PD, Elly Schlein, o responsável de organização do FdI, Giovanni Donzelli, e a líder de grupo da IV na Câmara, Maria Elena Boschi — um quadro que reforça como a exposição atua como espaço público comum, onde o passado orienta os alicerces do presente político.
A exposição abre ao público de quinta‑feira, 7 de maio, até quarta‑feira, 30 de dezembro, de segunda a sexta, das 10h às 17h, com visitas de uma hora mediante reserva no site da Câmara. A mostra também terá aberturas extraordinárias no sábado 30 de maio e domingo 31 de maio, das 10h às 16h. Além disso, integrará o calendário do evento "Montecitorio a Porte Aperte" nas datas: sábado 23 de maio (20h–00h30), terça 2 de junho (16h–19h), domingo 4 de outubro (10h–13h30) e domingo 13 de dezembro (10h–13h30).
Como repórter atento aos efeitos concretos das decisões de Roma sobre a vida das pessoas e dos migrantes, vejo nesta exposição uma oportunidade para derrubar barreiras burocráticas da memória: é um roteiro que permite ao cidadão compreender não só os documentos, mas o processo coletivo — a construção de direitos — que os produziu. Visitar Montecitorio para ver essas provas é, em última análise, revisar a própria arquitetura da cidadania italiana.
Giuseppe Borgo, correspondente político — Espresso Italia