Nordio defende sigilo das chats de Delmastro: 'Promotor não deve invadir vida privada'

Nordio defende sigilo das chats de Delmastro e afirma que promotor não deve invadir a vida privada; privacidade é alicerce constitucional.

Nordio defende sigilo das chats de Delmastro: 'Promotor não deve invadir vida privada'

RESUMO ✦

Sem tempo? A Lili IA resume para você

Gerando resumo com IA...

Nordio defende sigilo das chats de Delmastro: 'Promotor não deve invadir vida privada'

Por Giuseppe Borgo — Roma. O ministro da Justiça, Carlo Nordio, saiu em defesa do deputado Andrea Delmastro no centro da mais recente disputa política sobre a divulgação de conversas privadas. Em entrevista após a decisão da Câmara que negou o acesso às chats do parlamentar, Nordio afirmou estar "seguro da sua estranheidade e honestidade" e sublinhou que um promotor não pode penetrar livremente na esfera íntima de um cidadão.

O episódio, que envolve conversas atribuídas a Delmastro com um alegado prestanome do clã Senesi e com Mauro Caroccia, foi transformado pelo Guardasigilli numa reflexão mais ampla sobre o equilíbrio entre investigações criminais e direitos constitucionais. Para Nordio, estamos diante de uma questão de "civiltà giuridica" que se torna cada vez mais premente na era dos smartphones.

Segundo o ministro, a proteção da vida privada é um alicerce da liberdade: "As chats fazem parte importante da nossa vida privada e um promotor não pode entrar nelas; devem permanecer reservadas o máximo possível", declarou. Na visão dele, a segredeza das comunicações funciona como o lado simétrico da liberdade individual e tem amparo na própria Constituição.

Nordio relatou ter telefonado a Delmastro imediatamente após a votação parlamentar para lhe manifestar solidariedade. "Conversei com ele, felicitei-o porque passou uma questão de princípio, e acabei por erguer um copo de bom vinho branco", disse o ministro, descrevendo um gesto destinado a reforçar os laços e a confiança entre colegas afrontados pela pressão pública.

O Guardasigilli aproveitou para rebater críticas pessoais dirigidas a ambos nos últimos meses — desde as acusações ligadas ao conhecido caso Almasri até aos embates públicos sobre o referendo — e atribuiu a essas reações o custo inevitável da vida política: "Sei que a política também é feita de agressões, mais ou menos violentas. Ele (Delmastro) é mais emotivo e sofre com isso", comentou.

No mérito, Nordio insistiu estar "strasicuro" da integridade do deputado, lembrando-o como um dos paladinos da luta antimáfia que dedicou parte da sua carreira a enfrentar as cosche. Ele ainda recordou divergências público-jurídicas passadas entre os dois sobre temas como o concorso esterno em associação mafiosa, mas ressaltou que isso não diminui a confiança na sua honra pessoal.

Quando questionado se o sigilo das mensagens poderia alimentar suspeitas, o ministro respondeu com firmeza: "Balle". Para Nordio, a opção pelo voto secreto em Parlamento — requerido também pela oposição naquele caso — ilustra como a reserva é um instrumento que amplia a liberdade de escolha, e não um indicativo de culpa.

Por fim, Nordio advertiu para a dificuldade prática de tratar as conversas digitais como documentos públicos: os aparelhos modernos convertem a vida privada numa teia contínua, tornando perigosa e desproporcional a exposição indiscriminada de dados. Em suas palavras, derrubar essa ponte da privacidade seria corroer os próprios alicerces da convivência democrática.

Enquanto o debate segue entre prerrogativas judiciais e direitos individuais, a posição do ministro reabre uma conversa necessária: até onde o Estado pode, em nome da investigação, penetrar nos cantos íntimos da vida social sem comprometer garantias básicas? Em Roma, a questão se constrói agora como um teste à arquitetura das liberdades civis.